Constança Cunha e Sá, no seu habitual comentário desta sexta-feira, na TVI24, debruçou-se sobre um dos assuntos do dia, que dá como certa a descida da sobretaxa do IRS no próximo ano de 3,5% para 2,5%, como avançou a TVI. A comentadora disse que tal só prova que a austeridade «foi uma decisão política» quando o Governo dizia que não havia margem de discussão.

«É curioso que a eventual quebra da taxa extraordinária é feita à custa da receita fiscal, ou seja, através dos impostos, corta-se no IRS», disse a comentadora.

«Havia no interior da coligação dois discursos: um protagonizado por Maria Luís e Pedro Passos Coelho, que conseguem ser mais 'troikistas do que a troika'», ou seja, defendo uma «linha austeritária»; «e uma linha protagonizada pelo CDS que quer recuperar um caminho que perdeu durante estes três anos».

E porquê esta mudança de agulhas: «O que temos aqui e que é fundamental é as eleições e eu presumo que este Orçamento de 2015, que não vai ser fácil de fazer», mas, vamos «andar entre uma austeridade encabeçada pelo primeiro-ministro e uns golpes eleitorais, umas folgas eleitorais - não são tanto folgas orçamentais, mas folgas eleitorais».

E conclusão: a decisão de baixar a sobretaxa «mostra que isto é uma questão política», porque «aquilo foi-nos apresentado sempre como um caminho único».

«Temos um governo que nos diz que não há espaço para discussão política e isto prova que há decisões políticas que estão por detrás destes caminhos únicos».

E a comentador acrescentou: «Temos um governo que disse sempre que ia para além da própria troika. Temos um governo que agora está em gestão: desistiu de fazer alguma reforma. Temos um governo que está em gestão a gerir um ciclo eleitoral».