Constança Cunha e Sá acusou, esta quinta-feira, o Governo de «má-fé» na forma como apresentou aos portugueses os resultados da 8ª e 9ª avaliações da troika. Na TVI24, a comentadora disse que a intransigência da troika em relação à flexibilização do défice para 2014 é uma derrota para o Executivo e sublinhou que o vice-primeiro-ministro não pode dizer, como disse, que não há pacote de austeridade em 2014.

«Esta conferência de imprensa foi, de certa forma, uma encenação, porque foi muito dito o que não se ia fazer e nada dito sobre o que se ia fazer. Isso ficou esquecido. Mas o primeiro ponto, sem dúvida nenhuma, é de facto a derrota do Governo, que é questão dos 4%. Paulo Portas tinha dito que o Governo se batia por um défice de 4,5% (...). Portanto, nós vamos ter em 2014 um plano de austeridade fortíssimo para forçar o défice a descer de 5,5% para 4% (...) Estamos a falar de 2500 milhões de euros. É uma brutalidade. Portanto, não se pode vir dizer, como disse Paulo Portas, que não há aqui um pacote de austeridade», afirmou Constança Cunha e Sá no espaço de análise nas «Notícias às 21:00».

«Passámos as avaliações», mas troika não cede no défice de 4%

Para a comentadora, Paulo Portas revela «habilidade» quando fala «vagamente» de mais pequenas e médias poupanças no Estado em 2014, mas o vice-primeiro-ministro esquece-se de referir que o pacote de austeridade, que foi negociado na 7ª avaliação e que ainda não foi aplicado, entrará em vigor no Orçamento de Estado de 2014.

«Quando o Dr. Paulo Portas diz que estas pequenas e médias poupanças vão incidir essencialmente sobre o Estado e não sobre as pessoas, é preciso ter uma certa lata, porque convém perceber, por exemplo, que dentro desses 4300 ou 4700 milhões de euros, 3600 milhões de euros incidem essencialmente e exclusivamente sobre pensionistas e funcionários públicos», explicou a comentadora.

«O que Paulo Portas se esquece de dizer é que a convergência de pensões mantém-se (...). Paulo Portas fez a diferença dizendo: na TSU dos reformados estava em causa um valor médio de pensão de 4000 e tal euros, na outra estava em causa um valor médio de 1200 euros. O que Paulo Portas não disse é que a convergência incide sobre pensões de 600 euros. São pensões de 600 euros que vão ter cortes de 10%», acrescentou.

«Portanto isto revela uma enorme má-fé na forma como são apresentados os resultados e as medidas aos portugueses. Porque é evidente é que este pacote de austeridade incide sobre as famílias, sobre os reformados, sobre os apoios sociais, sobre os funcionários públicos», rematou.