Constança Cunha e Sá disse, esta quarta-feira, que a crise política profunda, gerada pelos dois partidos da coligação governamental, é fruto do «apodrecimento» do Executivo. Na TVI24, a comentadora sublinhou que o atual Governo provoca «constante instabilidade» e defendeu que o Presidente da República tinha de intervir de forma rápida e decisiva.

«Há aqui um apodrecimento do espaço público que é preocupante. Isto, no fundo, está a cair de podre. Este Governo está a cair de pobre. Isto está tudo envenenado. Isto não faz já sentido absolutamente nenhum», afirmou Constança Cunha e Sá.

No espaço de análise nas «Notícias às 21:00», a comentadora defendeu que as demissões de Vítor Gaspar e de Paulo Portas «não são fruto do acaso, mas do apodrecimento do Governo e do falhanço total das suas políticas». «Saem dois ministros de Estado, acusando os dois o primeiro-ministro de ter falta de liderança. A falta de liderança é uma constante neste Governo e tem sido sempre. O primeiro-ministro não consegue liderar nem um ajuntamento de escuteiros quanto mais um Governo. O problema que aqui está também é esse», explicou.

Para Constança Cunha e Sá, a crise política retirou ao Executivo toda e qualquer credibilidade. «Com que autoridade é que este Governo vai pedir às pessoas mais sacrifícios? Eu acho que isto é uma TSU em ponto grande. Este episódio é o sinal do fim. (...) Por muitos arranjos que se façam, por muitos cacos que se colem, não há volta a dar a isto. Isto morreu, de facto, aqui», afiançou.

A comentadora considerou ser «extraordinário» que quem decide a remodelação do Governo seja «o parceiro que sai» e «não o primeiro-ministro». «Isto é uma gente que se está a agarrar ao poder até à última, com medo de sair», realçou. E fez uma sugestão: «O Presidente da República, pura e simplesmente, tinha que ter uma ação rápida e decisiva: era acabar com esta fantochada, acabou-se o circo (...) Isto é irrespirável».