David Dinis disse, esta quinta-feira, que a atuação do antigo Presidente da República, Mário Soares, «está no limite do incitamento à violência». O comentador referiu-se às declarações do histórico do PS na entrevista de quarta-feira à TVI24 e em artigo publicado no «Diário de Notícias». Numa emissão especial do programa «Política Mesmo», dedicada à conferência «em defesa da Constituição, da Democracia e do Estado Social» promovida por Mário Soares, David Dinis defendeu que o objetivo «restrito» do encontro que reúne várias personalidades na Aula Magna, em Lisboa, é «derrubar o Governo». Uma opinião contestada por Constança Cunha e Sá, para quem Mário Soares está apenas a avisar que o país está a caminhar para «tempos muito complicados».

«Penso que não houve apelo à violência, não concordo muito, nem acho que estejamos em vésperas de violência. Como ele próprio [Mário Soares] já explicou, ele não apela à violência, ele acha que vêm aí tempos violentos», argumentou a comentadora. Numa referência ao apelo de Mário Soares à demissão do Governo e do Presidente da República, Constança Cunha e Sá concordou que, «numa altura em que o país precisava de um referencial», Cavaco Silva «deixou de o ser».

«Eu acho que ele está completamente condicionado e que se deixou enredar completamente no apoio ao Governo. Não tem neste momento margem de manobra para poder ser uma figura aglutinadora que possa propor consensos ou que possa ser minimamente aceite pelas forças partidárias todas», defendeu a comentadora.

Um argumento partilhado por David Dinis, para quem Cavaco Silva «tem andado aos ziguezagues». O comentador ressalvou que o momento que o país atravessa «não é uma situação fácil para um Presidente da República».

«Temos uma sociedade completamente partida entre pessoas que acreditam que o Governo está, pelo menos racionalmente, a fazer mais ou menos o que devia, com muitos erros pelo caminho (...) E as outras pessoas que acham que o Governo está a levar isto para a catástrofe e que devia fazer qualquer coisa para mudar radicalmente o rumo. Pedir que nesta fase apareça alguém para fazer o consenso é uma coisa difícil», justificou.

Para David Dinis, a conferência promovida por Mário Soares para «salvar Portugal», como o próprio afirmou, tem de ser comparada com uma outra reunião das esquerdas, promovida em maio de 2012 também por Mário Soares: «A diferença substancial é que Mário Soares, em maio, acreditou que era possível um projeto de união das esquerdas em torno de alguma coisa que fosse alternativa a este Governo. Agora, Mário Soares já não tentou isso. Ou seja, já não houve sequer um representante de cada partido a discursar no palco. Porque o objetivo é restrito a uma única coisa: deitar abaixo o Governo».