Constança Cunha e Sá sublinhou, esta quarta-feira, na TVI24, a falta de acordo entre o primeiro-ministro e o vice-primeiro na matéria essencial da flexibilização do défice orçamental para 2014. No dia em que Paulo Portas defendeu um défice para 2014 de 4,5% do PIB (em vez dos 4% definidos na anterior avaliação da troika), Pedro Passos Coelho desmentiu o vice-primeiro-ministro para dizer que «não há uma decisão tomada» sobre revisão do défice para 2014. Na TVI24, a comentadora referiu que, com esta divergência de afiramções, o Executivo volta a fazer prova de uma falta absoluta de estratégia, tanto no plano interno, como no plano externo.

No espaço de análise nas «Notícias às 21:00», Constança Cunha e Sá começou por dizer que nunca viu uma descoordenação tão grande no Governo. Para a comentadora, a «cacofonia» que reina no seio do Executivo, com os ministros a «atropelarem-se uns aos outros e a falarem cada um a seu tempo do mesmo assunto, mas de maneiras diferentes», só mostra que a flexibilização apenas existe para corrigir fracassos.

«A flexibilização [do défice] não serve para aliviar a austeridade e fazer respirar a economia. (...) Não, a flexibilização aparece na sequência de um desastre, do fracasso das políticas do Governo», defendeu. «É sempre assim que tem acontecido (...) O grande propósito do Governo é consolidação das contas públicas, tem falhado sistemicamente», realçou.

Para Constança Cunha e Sá, o que está a acontecer no Governo é uma coisa muito simples: «Nós [o Governo] achamos que não vamos cumprir 4% do défice em 2014. Ou seja, não se pede o alívio do défice por causa da economia, pede-se o alívio do défice porque não se consegue cumprir. É uma grande derrota para Paulo Portas».

Para comprovar a eventual derrota do vice-primeiro-ministro, a comentadora chamou a atenção para uma declaração do primeiro-ministro. Passos Coelho «disse esta coisa extraordinária: estão diversas reformas em curso ou a ser preparadas, a que falta orientação, mas essa orientação ficou de ser dada pelo Dr. Paulo Portas» no guião da reforma do Estado.

Para Constança Cunha e Sá, esta afirmação do primeiro-ministro mostra de forma inequívoca «a forma descoordenada e a falta absoluta de estratégia que o Governo tem, tanto no plano interno, como no plano externo».

«Não se vê um pensamento estratégico sobre o país», lamentou a comentadora, para acrescentar que os «resultados positivos do segundo trimestre não convencem a Europa».

«Nunca pensei ouvir um primeiro-ministro dizer que está a fazer reformas sem orientação, nunca pensei que isso fosse possível. Isto não faz sentido. Isto, se não fosse trágico, era uma anedota», referiu. «Com o Governo sem estratégia, seremos aniquilados na 8ª avaliação», vaticinou.