Constança Cunha e Sá acusou, esta sexta-feira, o Presidente da República de «não ser consequente com nada do que diz». Na TVI24, a comentadora sublinhou que nunca viu Cavaco Silva falar «do essencial» e denunciar que o rigor orçamental nos últimos três anos foi «um fim em si mesmo», que só conduziu o país ao fracasso.

No dia em que a conferência organizada, em Lisboa, por Durão Barroso e pela Comissão Europeia, contou com a presença de vários membros do Governo, Constança Cunha e Sá afirmou que o encontro não passou de «uma mega sessão de propaganda, com efeitos eleitorais». A comentadora chamou a atenção para a «corrente extraordinária de elogios» entre Passos Coelho, Durão Barroso e Cavaco Silva, como se o programa de ajustamento tivesse sido um sucesso para o qual os três contribuíram «zelosamente, com o seu esforço e dedicação».

Para Constança Cunha e Sá, as medidas, nos últimos três anos «foram tomadas às três pancadas», sem que Cavaco Silva tivesse dito uma palavra. A comentadora defendeu que «não fica muito bem ao Presidente da República» dizer que a disciplina orçamental «é um meio, não um fim», como se estivesse acima da política de austeridade: «O Presidente da República, para ser consequente com isto, devia então perguntar porque é que nós, em 2015, temos de ter um défice de 2,5%, que é uma coisa que ninguém ainda explicou».

Constança Cunha e Sá afirmou que Cavaco Silva «já não engana ninguém». «E não vale a pena [o Presidente da República] dizer coisas para depois dizer que disse, quando toda a gente sabe que ele não diz o essencial e não é consequente com nada do que diz», concluiu.