A deputada do Bloco de Esquerda, Mariana Mortágua, apresentou, esta quarta-feira, quatro perguntas ao ministro das Finanças sobre o recurso a offshore por instituições públicas e nove medidas de combate àquela forma de evasão fiscal e outros ilícitos. Uma dessa medidas passa por proibir compras em dinheiro vivo acima dos 10.000 euros.

Em conferência de imprensa no Parlamento, a vice-presidente da bancada bloquista avançou com um requerimento dirigido a Mário Centeno no sentido de conhecer "contas, sociedades ou veículos detidos por instituições, empresas ou fundações públicas" em offshore e, daquelas, quais em territórios do género "não cooperante".

Quais as instituições com aplicações financeiras nestes regimes e quais os montantes aplicados" , quer saber o BE. 

Mariana Mortágua lembrou que a maioria das medidas reapresentadas esta semana pelo BE para combater os offshore, "já foram apresentadas no passado e obtiveram votos favoráveis ou a abstenção do PS", havendo, portanto, alguma segurança por parte dos bloquistas quanto à "abertura do PS para negociar a aprovar estas medidas".

"Esse debate deve ser feito na Assembleia da República. Todos os partidos sabiam que o BE ia apresentar medidas, mas fazemo-lo com humildade", continuou a parlamentar do BE, perspetivando uma discussão "em sede de especialidade" em que "todos os contributos bem-vindos", até porque se trata de "medidas juridicamente complexas".

Segundo a deputada bloquista, "quando existe opacidade e um território em que ninguém faz perguntas e quase não há regras, é muito difícil distinguir aquilo que é legal do que é ilegal, moral do imoral".

"Num offshore onde não há informação ou transparência, é difícil fazer a distinção entre planeamento fiscal e fuga ao fisco, entre contabilidade criativa ou esquemas de manipulação de mercado e todos estes esquemas se confundem", disse, lamentando a potenciação de "atividades como o branqueamento de capitais ou os tráficos de armas e drogas".

A parlamentar do BE salientou que "quem mais perde com a existência destes territórios, além das vítimas de atividades criminais, são os Estados e os contribuintes", sendo que os cidadãos cumpridores dos seus deveres e obrigações fiscais perdem duplamente, pois "o Estado perde recursos essenciais e vai sobrecarregá-los com excesso de impostos ou cortes nos serviços públicos".

Entre as nove medidas apresentadas pelo grupo parlamentar do BE contam-se a divulgação pelo Governo de todas as relações e operações efetuadas com recurso a entidades localizadas ‘offshore’ não cooperantes ou jurisdições mais favoráveis, o condicionamento de incentivos fiscais na zona franca da Madeira à criação de postos de trabalho estáveis ou o fim dos valores mobiliários ao portador.

A obrigatoriedade de registo e comunicação do Banco de Portugal e à Autoridade Tributária de todas as operações realizadas com offshore, a regulamentar nos próximos três meses, e o impedimento de pagamentos em numerário de valores acima de 10.000 euros são outras iniciativas do BE.