Com votos contra certos de PSD e CDS, foram muitas as críticas que estes dois partidos mais à direita fizeram ao Orçamento do Estado e, muito, ao Governo liderado por António Costa, durante o debate final que antecedeu a votação final global do documento que vai reger as contas públicas em 2018. Passos Coelho acusou o Governo de ter atingido níveis de "comédia e do ridículo" e a centrista Ana Rita Bessa criticou as "ilusões e contradições" do executivo socialista.

Para Passos, o Governo está a caminhar para “uma legislatura perdida” a troco da sua sobrevivência e que os casos da mudança do Infarmed e o descongelamento de carreiras na função pública são exemplos dos tais "níveis de comédia e do ridículo".

Na intervenção de encerramento no debate do Orçamento do Estado, o ainda líder do PSD voltou a acusar o Governo de recorrer a planos B para cumprir as metas orçamentais, com um aumento das cativações em “valores históricos” ou uma travagem “a fundo” no investimento público e na despesa corrente do Estado.

O Governo socialista e a maioria radical comunista não se deram por vencidos. Se a realidade se atravessa numa boa narrativa, mantém-se a narrativa e nega-se a realidade. Foi literalmente o que fizeram. Esconderam e dissimularam primeiro, e negaram depois e sempre este plano B orçamental, e lá continuaram a sua retórica violenta contra a austeridade do passado, disfarçando, mas prosseguindo, a nova austeridade dos impostos indiretos e das cativações”.

Passos lamentou que, num país com “uma elevada dívida pública e com enorme sensibilidade a variações na taxa de juro”, o Governo eleja como principal objetivo não a consolidação estrutural e a descida do rácio de dívida pública, mas antes o crescimento da despesa estrutural.

“Prosseguindo este caminho, como está prometido, teremos uma legislatura inteira perdida para este objetivo estratégico do país, a troco de garantir a satisfação da ambição política de um Governo que só quer sobreviver e reescrever a história do seu próprio passado irresponsável”, lamentou.

Passos Coelho teve de acelerar na parte final do seu discurso, do qual não leu algumas páginas da versão escrita distribuída aos jornalistas, mas justificou o voto do partido contra o Orçamento do Estado para 2018.

O nosso voto contra este orçamento justifica-se, pois, plenamente. É um orçamento com os olhos postos no presente e na comodidade dos elementos que suportam o Governo (…) Imerecida é a consequência para o futuro dos portugueses desta forma de estar na política da liderança socialista e dos seus apoiantes interessados. Mas disso, estou convencido, tratará o país na oportunidade certa”.

CDS fala em "atropelamento" à esquerda

O CDS-PP considerou, por sua vez, que o Orçamento para 2018 "cria ilusões e vive de contradições".

Este Orçamento cria ilusões e vive de contradições: devolve rendimentos em suaves prestações até dezembro de 2019, mas piora já, hoje, a vida das pessoas com impostos indiretos injustificados e até agravados".

No encerramento do debate do Orçamento do Estado para 2018, que o CDS-PP votará contra, Ana Rita Bessa acusou os partidos da maioria de esquerda de se terem atropelado uns aos outros durante a discussão na especialidade "para ver quem cravava a bandeira da popularidade, num jogo que se tornou perigosamente populista".

Veja também: