O secretário-geral do PCP considerou esta quinta-feira que o Orçamento de Estado para 2015 segue as «políticas e imposições» da troika e que está longe das necessidades do país.

«Nós dissemos que a troika foi embora mas deixou cá o ovo. Já tínhamos dito isso, numa análise que agora se confirmou. Este governo já não surpreende os portugueses no plano positivo, quando muito pode é ainda fazer mais mal ao país», disse Jerónimo de Sousa.

«A troika foi embora mas deixou cá as suas políticas e as suas imposições que são a matriz fundamental deste Orçamento, que prossegue a austeridade e os sacrifícios, visando o empobrecido do povo e dos trabalhadores, particularmente das novas gerações», insistiu, citado pela Lusa.

O secretário-geral do PCP criticou ainda a «proposta miraculosa» de poder haver um alívio nos impostos caso o governo consiga valores acima do previsto: «Se o IVA e IRS conseguirem valores acima do previsto, então pode haver um alívio, mas os valores já estão sobrevalorizados. Queria relevar duas ou três medidas que são chocantes, que são o corte brutal na educação, de mais de 700 milhões, e cortes na proteção social de mais uns largos milhões, enquanto à banca é apenas exigido uma sobrecarga de 30 milhões que vão para o fundo para ajudar os bancos».

Jerónimo de Sousa defendeu que o Orçamento apresentado «está longe das necessidades do país», considerando que apenas serve «os grandes e poderosos». «Aquilo que deve ser feito é o julgamento político. Querem iludir os portugueses, com promessas e condicionalismos que se traduzem numa demonstração de má-fé. Independentemente de uma leitura constitucional, a questão de fundo é política, de um orçamento que devia ser derrotado e de um governo que devia ser demitido».

Sobre a descida do IRC, não a vê como uma boa notícia: «A baixa do IRC beneficia apenas as grandes empresas e o IVA a 23% na restauração levará a mais encerramentos e falências, pois não é suportável que, com esta carga fiscal, mantenham as suas portas abertas».

Livre: «Governo não sabe governar de outra maneira»

Entretanto, outra reação política ao Orçamento do Estado, depois daquelas que se verificaram ainda ontem. O Livre acusou o Governo de impor um «estado permanente de austeridade» e de não saber «governar de outra maneira».

Num comunicado, o Livre comenta a proposta de revogação da sobretaxa de IRS, criticando a falta de garantias sobre o seu fim e a ausência de explicações relativamente à forma como será feita. «Este é um exercício pouco sério que instrumentaliza as expectativas dos portugueses para uma ilusão de melhoria de vida que não vai acontecer nos termos deste Orçamento de Estado». Se for aprovado «a carga fiscal dos portugueses será este ano ainda maior do que em todos os anos precedentes de austeridade e de governação PSD/CDS».

O Livre considera «quase insignificante» a reposição dos salários da função pública e diz que o Governo só tem «mão forte para perseguir os mais vulneráveis, estabelecendo tetos aos mínimos sociais, e mão fraca para os mais privilegiados».