A discussão do OE para 2015 decorre com António Costa à frente dos destinos PS pela primeira vez, depois de ter vencido as eleições primárias socialistas do dia 28 de setembro, que escolheram o candidato do partido a primeiro-ministro.

António Costa não quis ainda comentar «notícias sobre orçamentos que não existem»e criticou apenas o ‘timing' de apresentação do documento.

«Quase no fim do prazo para a entrega, registo que o Governo ainda vai reunir no próximo sábado [hoje] para ver se consegue finalizar o Orçamento. Entendo que é um mau sinal sobre a estabilidade do país, um reflexo da intranquilidade que existe e da dificuldade que o Governo tem em conseguir produzir um Orçamento», disse na quinta-feira, um dia antes de se ter reunido, em audiência, com o Presidente da República, Cavaco Silva.

Coube a Ferro Rodrigues, líder recém-eleito da bancada socialista, fazer a análise da situação fiscal, antevendo a discussão do documento no Parlamento.

Ferro Rodrigues, em entrevista à TSF, disse que o Partido Socialista não pode avançar com compromissos eleitorais «desbragados». A redução da carga fiscal torna mais difícil a defesa do Estado Social.

Ferro Rodrigues parece concordar com Passos Coelho. O primeiro-ministro já veio dizer que a «margem» para baixar impostos em 2015 pode ser baixa, mas, sendo este o último Orçamento desta legislatura, os socialistas entram em campo e, com um novo líder, entram em campanha eleitoral, mas o antigo ministro parece pedir calma.

O sociólogo António Barreto, antigo deputado do PS, também em entrevista à TSF, considera que a austeridade vai prolongar-se. «Vamos ter mais 3 a 5 anos de dificuldades», disse, justificando que ainda há dez mil milhões de euros a cortar na despesa pública.

E nem o fim da legislatura parece trazer-lhe esperança. António Costa não convence o sociólogo como salvador de Portugal da crise.

António Costa «vai ter de dizer onde vai buscar recursos para as finanças públicas. Até agora limitou-se a dizer que «é preciso que a Europa pague». Isto não faz sentido. A Europa paga? Paga o quê? Como? Quando? E isso é um programa político, ir pedir à Europa que pague?». Perguntas que o sociólogo deixa em aberto na antena da TSF.