O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, afirmou esta quinta-feira que o Conselho de Finanças Públicas tem uma "leitura curta" sobre a redução do IVA na restauração para 13%, pois "não foi capaz de enxergar" as potencialidades da medida.

"Creio que é uma leitura curta, estreita, porque se se faz só a contabilidade em termos de exercício da fiscalidade está-se a deitar borda fora as potencialidades que existem, que, com esta redução, se resolvam algumas situações dramáticas de muitos empresários e, simultaneamente, que se estimule a sua confiança para criarem mais emprego e postos de trabalho, dinamizando a nossa economia com estes ganhos que a presidente do Conselho de Finanças Públicas não foi capaz de enxergar", disse.

Jerónimo de Sousa, após uma reunião com os responsáveis da Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP), comentava o alerta do Conselho de Finanças Públicas, presidido por Teodora Cardoso, para "riscos descendentes" na execução orçamental do resto do ano, relativamente ao setor financeiro, despesas com pessoal e receita do IVA, com "impacto orçamental no segundo semestre".

"Deixem aplicar a medida e veja-se os resultados. A AHRESP está disponível para fazer a monitorização, passados uns tempos, dos efeitos positivos que tal medida teve na economia nacional", defendeu o líder comunista, salientando "o mérito fundamental" dos empresários da restauração na "luta" para conseguir a redução do IVA para 13%.

O secretário-geral do PCP sublinhou ainda que há outros fatores que precisam de intervenção naquele setor, designadamente os custos de contexto, em especial o arrendamento urbano, ou a melhoria das condições para a medicina no trabalho.

"É uma batalha que continua a ter limitações, insuficiências. Não é o pleno que considerávamos importante concretizar, mas é um avanço significativo para o futuro de muitas pequenas e médias empresas de restauração", congratulou-se.