O vice-presidente do CDS Nuno Melo defendeu esta quarta-feira que mais importante do que uma sua eventual candidatura à liderança é contribuir para assegurar que depois da saída de Paulo Portas o partido não se vai balcanizar.

"O que me parece mais importante aqui não é saber se eu sou ou não candidato à presidência do CDS. O que para mim é importante é assegurar, no que de mim dependa, é o que a liderança cessante do Paulo Portas justifica e merece, ou seja, que ao contrário de tanto comentário político, um fim do ciclo Paulo Portas não tem de significar um partido que se vai balcanizar, que se vai radicalizar", afirmou Nuno Melo, em entrevista à RTP3.


Nuno Melo, que anuncia na quinta-feira às 12:00 se é ou não candidato à liderança, disse que ainda precisa de ter "um conjunto de conversas", nomeadamente com a também vice-presidente Assunção Cristas, que afirmou ser "um ativo importantíssimo do CDS".

"Porque é que uma sucessão terá de ser de Nuno Melo contra Assunção Cristas ou de Assunção Cristas contra Nuno Melo? Porque é que não pode ser um e outro, com todos os outros, designadamente aqueles que são apontados como candidatos à sucessão e outros que não sabemos se são candidatos mas têm toda a legitimidade", questionou-se.

Nuno Melo disse que os apoios que tem hoje "ficarão ao serviço de outros" caso decida não se candidatar.

"Comigo ou sem mim, o CDS terá uma boa solução, que será uma garantia de estabilidade", afirmou, numa entrevista em que destacou que conhece bem o partido, já que ele foi "da base ao topo", sujeitou-se a votos e foi eleito para todas as funções, desde a Assembleia de Freguesia ao Parlamento Europeu, passando pela Assembleia da República.

Questionado sobre se, caso seja candidato, gostaria de ter Assunção Cristas na sua lista, respondeu: "Como é evidente".

O eurodeputado afirmou que, como no passado, continua a defender que o líder do partido não deve estar no Parlamento Europeu, mas na Assembleia da República a debater com o primeiro-ministro, e que foi suplente por Braga e que, por isso, "ao menos em tese" pode ocupar esse lugar, se outros renunciarem.

"Eu não sou dono de todos os outros mandatos", sublinhou, contudo, admitindo que esta é uma das matérias que pesam na ponderação que está a fazer sobre uma candidatura à liderança.

Segundo Nuno Melo, "o pior contributo de um futuro líder ou uma futura líder seria tentar uma imitação" de Paulo Portas "quando o original está próximo e felizmente é jovem".

"O novo líder tem de marcar a sua liderança e afirmar-se sem medo de comparações com o passado", disse.


Numa referência a ideias expressas num artigo de Adolfo Mesquita Nunes na revista Visão, em que o ex-secretário de Estado do Turismo defende um CDS que seja um partido pragmático e responda às questões concretas da vida das pessoas, Nuno Melo afirmou que o pragmatismo "não pode ser desligado das referências doutrinárias e ideológicas".

Nuno Melo defendeu o CDS como "um partido interclassista", que "não pode ser só uma montra de elitismo".