O CDS-PP defendeu que hoje se vive um «dia importante para Portugal», considerando que o crescimento económico em dois trimestres consecutivos mostra que o «caminho está quase a chegar ao fim» e que, apesar das «dificuldades», valeu a pena.

«Hoje é um dia importante para Portugal, para a economia portuguesa, para as empresas, para os trabalhadores, que se têm esforçado e conseguiram, ao fim de 10 trimestres consecutivos, de 1004 dias de recessão, de crise económica, ter dois trimestres consecutivos a crescer», afirmou o líder parlamentar do CDS-PP, Nuno Magalhães.

O presidente da bancada centrista sublinhou que, «mesmo em relação ao período homólogo, houve uma redução para metade da queda do produto, o que não deixa de ser também um dado revelador e coerente com um caminho que está a ser feito no sentido de estes sinais de recuperação económica serem cada vez mais coerentes, mais concertados entre si e mais consistentes».

«Estou em crer que hoje muitos portugueses começam cada vez mais a perceber que este caminho está quase a chegar ao fim e que, nas dificuldades, nas exigências, no rigor, tem valido a pena», afirmou, falando aos jornalistas, no Parlamento.

«Nós cumprimos com o nosso programa de assistência financeira, em junho de 2014 livramo-nos dos nossos credores, até para não termos que ouvir o que ouvimos ontem, e para isso temos que manter esta rota, este caminho», defendeu.

Para Nuno Magalhães, esse caminho passa por «gerar confiança, proporcionar condições às empresas, aos trabalhadores e aos empresários para continuarem neste esforço nas exportações».

«Gerando essa confiança, as pessoas percebendo que estamos cada vez mais perto do fim deste clima de protetorado em que vivemos, com certeza que continuaremos, neste esforço e nas dificuldades, a ter estes resultados», sustentou.

Confrontado com a reação da oposição, cujos partidos convergiram em temer que o aumento da procura interna que originou o crescimento seja colocado em causa pelo Orçamento do Estado para 2014, Magalhães recusou «desvalorizar o mérito dos trabalhadores e das empresas».

«Estar a procurar desvalorizar esse esforço que é sobretudo dos portugueses, das empresas, dos trabalhadores, não creio que seja uma atitude sensata. Factos são factos, Portugal ao fim de 1004 dias saiu de uma recessão técnica», disse.

De acordo com a estimativa rápida do Produto Interno Bruto (PIB) no terceiro trimestre, hoje divulgada pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), a economia portuguesa cresceu no terceiro trimestre do ano, com o PIB a aumentar 0,2% face ao segundo trimestre do ano, mas mantendo-se ainda em valores negativos quando comparado com o mesmo período do ano passado.

Esta subida de 0,2% no PIB no terceiro trimestre, face ao segundo trimestre, acontece depois de um crescimento de 1,1% registado no segundo trimestre do ano, em relação aos primeiros três meses do ano.

Quando a comparação é feita com igual período do ano passado, nota-se que o PIB ainda está em níveis consideravelmente negativos.

A estimativa rápida do INE indica que o PIB ficou ainda 1,0% abaixo do valor que se registava entre julho e setembro de 2012. Apesar de negativo, este valor é, no entanto, melhor que o valor registado no trimestre anterior, altura em que a comparação homóloga mostrava que o PIB seria inferior em 2,0% do valor registado no mesmo trimestre do ano anterior.