O CDS-PP defendeu hoje que não se deve criar a ideia de que em Portugal há «um país e dois sistemas» entre o público e o privado, nos salários, reformas e garantias de emprego.

«Precisamos de estar à altura do momento, de percebermos que não seria bom para ninguém que se criasse a ideia (interna ou externamente) que em Portugal há um país e dois sistemas, que no Estado há mais salário, mais aposentação, mais garantia de emprego e até havia menos horas de trabalho», afirmou o líder parlamentar centrista, Nuno Magalhães.

O presidente da bancada do CDS-PP falava durante a reunião da comissão permanente da Assembleia da República.

«Já no setor privado (onde trabalham 80% dos portugueses) há menos salário, menos reforma, menos garantia de emprego, e, apesar de tudo isto, até havia mais horas de trabalho», declarou.

«Temos que preservar a união de todos e garantir que há maior igualdade de tratamento entre todos», argumentou.

Nuno Magalhães disse que, apesar do contexto pré-eleitoral, «não deixa de ser surpreendente que o maior partido da oposição diga à segunda-feira que não aceita a mobilidade especial que criou, à terça-feira que é contra a convergência de pensões da Caixa Geral de Aposentações, à quarta-feira que discorda da alteração do horário de trabalho na função pública, à quinta-feira que vota contra um Orçamento que desconhece, para à sexta-feira, propor uma redução substancial na receita do Estado».

O líder da bancada centrista atacou ainda o secretário-geral do PS, António José Seguro, sobre o abono de família.

«Agora, vem o PS propor o alargamento deste abono que um governo de centro direita criou, o governo do PS, em vésperas de eleições, alargou, que o mesmo governo do PS depois de eleições retirou», disse.

«Agora, em véspera de eleições, o PS quer que este governo, debaixo de um resgate, reponha aquilo retirou há 3 anos e sem período de assistência financeira. Para isso, senhor deputado Carlos Zorrinho, é que é preciso ter vergonha na cara», acusou, dirigindo-se ao líder parlamentar do PS.

Nuno Magalhães reiterou que o CDS está «disponível para o diálogo social e para o compromisso político que mais do que desejável é inevitável face à situação do país» e disse aguardar pelo fim do período eleitoral e o regresso à «normalidade».