O vice-presidente do CDS-PP Nuno Magalhães considerou hoje «normais» as declarações da chanceler alemã sobre um apoio a Portugal qualquer que seja a saída do programa de assistência financeira.

«Vejo com a naturalidade de quem tem de facto feito um esforço e um sacrifício para cumprir com aquilo que se comprometeu. Considero-as normais», afirmou Nuno Magalhães aos jornalistas no Parlamento.

A chanceler alemã Angela Merkel garantiu esta terça-feira, em Berlim, após um encontro com o primeiro-ministro Pedro Passos Coelho, que a Alemanha apoiará Portugal qualquer que seja a forma que o Governo escolha para sair do programa de assistência financeira.

Numa conferência de imprensa conjunta na chancelaria federal, após um almoço que foi dominado pela conclusão do programa de assistência a Portugal , Passos Coelho indicou que teve oportunidade de comunicar à chanceler que o Governo «não tomou ainda uma decisão quanto aos termos em que irá sair desse programa», tendo Merkel afirmado que compreende que Portugal espere até mais perto da data para decidir.

«É uma decisão que cabe ao Governo português e será tomada mais perto da altura, até porque sabemos como as coisas estão constantemente a mudar (...) Compreendo muito bem que o primeiro-ministro diga que vai decidir quando for altura de decidir, e a Alemanha apoiará qualquer decisão que o Governo tomar. Nós sempre apoiámos Portugal e vamos continuar a fazê-lo. E vamos esperar pela altura em que a decisão vai ser tomada, mas penso que o contexto é muito positivo», declarou Angela Merkel.

A chanceler insistiu que «Portugal está no bom caminho», com «um crescimento melhor que o previsto» e que «é mérito de quem levou a cabo as reformas», num contexto que admitiu ser difícil para os cidadãos mas que, sustentou, começa a produzir frutos.

Por sua vez, o líder comunista, Jerónimo de Sousa, criticou a postura do primeiro-ministro no encontro com a chanceler alemã e o agradecimento da ajuda a Portugal, afirmando que Angela Merkel ajudou os «mega bancos» germânicos.

«Não dignifica. A senhora Merkel não ajudou Portugal e os portugueses. A Alemanha sim, foi ajudada com esta política de empobrecimento e os seus mega bancos. Agradecer o quê?», questionou Jerónimo de Sousa, após um encontro com o Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas, em Lisboa.

«Dizer que se está de acordo seja qual for a saída quando não se sabe a saída... é muito simpático, mas no concreto não diz nada. Ficámos mais preocupados quando a senhora Merkel se encontrou muito satisfeita com a imposição da política de austeridade e sacrifícios tremendos que se processou durante estes três anos. Congratulou-se com o bom caminho», lamentou o secretário-geral do PCP.

«Vimos o primeiro-ministro português numa posição que não honra, não dignifica o nosso patriotismo, de chapéu na mão, perante a senhora Merkel, que ficará muito satisfeita com esta apresentação de chapéu na mão. Os portugueses não sentirão que tenha havido algum brio patriótico por parte do primeiro-ministro», disse ainda o deputado comunista.