Os dirigentes do PCP mostraram-se hoje solidários com o presidente venezuelano, Nicolas Maduro, cujo Partido Socialista Unido da Venezuela foi derrotado nas eleições de domingo pela coligação  Mesa da Unidade Democrática (MUD), que obteve maioria de dois terços.

"Tendo-se realizado as eleições legislativas na República Bolivariana da Venezuela, onde após 17 anos (e 18 atos eleitorais em que foram derrotadas) as forças contrarrevolucionárias alcançaram a maioria dos lugares no parlamento, o PCP expressa a sua solidariedade às forças reunidas no Grande Polo Patriótico e, nomeadamente, ao Partido Socialista Unido da Venezuela e ao Partido Comunista da Venezuela", lê-se em comunicado.

O texto do PCP manifesta "confiança de que as forças progressistas e revolucionárias venezuelanas encontrarão as soluções que defendam o processo revolucionário bolivariano" e justifica o desaire pelo "contexto de uma conjuntura económica particularmente desfavorável em resultado da baixa do preço do petróleo e no quadro de grandes operações de desestabilização e boicote económico dos setores mais reacionários venezuelanos, articuladas com a ingerência do imperialismo".

A coligação da oposição obteve 99 assentos parlamentares face a 46 do PSUV, anunciou a presidente do Conselho Nacional Eeleitoral venezuelano, Tibisay Lucena, numa aparição pública, cerca de cinco horas depois do encerramento das urnas.

Segundo Tibisay Lucena, houve uma "participação extraordinária" de 74,25% nas eleições parlamentares de domingo e já foram contabilizados 96,03% dos votos, sendo as tendências "irreversíveis".

Maduro já fez uma comunicação através da televisão, afirmando aceitar os resultados com "a moral e a ética do chavismo" e destacou o triunfo da "Constituição e da democracia".

Os resultados eleitorais traduzem uma viragem histórica depois da chegada do poder do 'chavismo' (de Hugo Chavez) em 1999, apesar de diversos analistas advertirem que Maduro pode tentar limitar os poderes do parlamento para contrariar o triunfo da oposição.

Cerca de 19,8 milhões de eleitores foram chamados às urnas no domingo para as eleições destinadas a renovar a Assembleia Nacional (parlamento) de 167 deputados, três dos quais em representação das comunidades indígenas.