O ministro da Defesa, Aguiar-Branco, contactou esta segunda-feira com empresas portuguesas do setor da defesa, visando «dar visibilidade» a uma indústria que disse movimentar 1,72 mil milhões de euros e gerar 20 mil empregos.

«Este é um negócio que já move 1,72 mil milhões de euros em termos de indústrias portuguesas e já gera 20 mil empregos. É uma área de grande relevo para a economia nacional e que está em crescendo», afirmou, em declarações aos jornalistas.

O ministro da Defesa Nacional visitou esta segunda-feira a Farnborough Airshow, nos arredores de Londres, uma das maiores feiras aeronáuticas da Europa, contactando com responsáveis de algumas das empresas portuguesas representadas, entre as quais a Tekever, que apresentou um novo drone na exposição.

No final de um encontro com o presidente da OGMA - Indústria Aeronáutica, Rodrigo Rosa, detida a 65 por cento pelo Brasil e a 35 por cento por Portugal, Aguiar-Branco reafirmou que até ao final do ano o governo vai decidir se adquire a nova aeronave militar KC-390, projeto da empresa Embraer e cujos componentes são fabricados em Portugal.

Perante Rodrigo Rosa, Aguiar-Branco disse que o tema está a ser tratado «com a seriedade que se justifica» e que a decisão será tomada no âmbito da revisão da Lei de Programação Militar.

Na feira, a Tekever apresentou à comitiva do ministro da Defesa o novo drone - AR5 - vocacionado para vigilância marítima e costeira, com autonomia de 12 horas, cujos primeiros contratos de «venda de serviços» serão concretizados durante o Farnborough.

De acordo com o administrador da Tekever Ricardo Mendes, o mercado para o novo drone será preferencialmente a América do Sul, Ásia e Europa, admitindo que a possibilidade de Portugal adquirir um daqueles equipamentos - cujo preço poderá ascender a um milhão de euros - é pequena.

O mercado português é «muito pequeno», disse, destacando que existem no entanto parcerias com instituições portugueses, académicas e militares, para o desenvolvimento de tecnologia e teste dos produtos no terreno.

Uma outra empresa que suscitou a curiosidade do ministro da Defesa foi a Skypro, uma empresa portuguesa de fabrico de calçado que utiliza borracha de alta absorção de impacto, num processo «único no mundo específico para a aviação», segundo explicou Jorge Pinto, administrador.

A empresa, que faturou um milhão de euros em 2013, comercializa calçado para a TAP, TAG, Lufthansa, e fez recentemente um contrato para a Marinha alemã, através de uma central de compras governamental.