O PCP acusou hoje o Governo da maioria PSD/CDS-PP de estar a retirar direitos fundamentais às mulheres e a esconder a responsabilidade da sua «política de direita» e «conceções retrógradas» atrás de «promessas em torno de políticas de natalidade».

«As recentes promessas do atual primeiro-ministro em torno das políticas de natalidade ocultam que a política de direita é responsável pelo desrespeito pela função social da maternidade e paternidade e pelo incumprimento dos direitos que lhes estão inerentes», lê-se em declaração do membro da Comissão Política comunista Fernanda Mateus, a propósito do Dia Internacional da Mulher, que se assinala no próximo sábado.

O PCP anunciou várias iniciativas, entre quinta-feira e sábado, em todo o país, destinadas a promover a «luta pela participação em igualdade numa sociedade mais justa e num país soberano».

«A demagogia do Governo em torno da "natalidade" esconde a defesa de políticas públicas alicerçadas no regresso a conceções retrógradas, ou seja, transferir a responsabilidade da renovação das gerações exclusivamente para a família e para a mulher e na desresponsabilização do Estado, das entidades patronais e de toda a sociedade», alega-se.

Segundo Fernanda Mateus, «nos últimos três anos - a pretexto da crise, do défice das contas públicas e da dívida -, (a "política de direita") é responsável pelo aumento do número de mulheres que estão impedidas na prática de exercer direitos fundamentais conquistados após o 25 de Abril e plasmados na Constituição».

Os comunistas denunciam numerosos problemas no universo laboral, designadamente «as trabalhadoras que acumulam trabalhos para, ao fim do mês, sem quase verem os filhos, receberem uma salário de miséria», incluindo «sábados, domingos e feriados» ou outras que, «em desespero, são atiradas para a prostituição e que alguns pretendem associar a um ato de livre escolha».

A redução das remunerações em geral, a desregulamentação dos horários de trabalho, a falta de apoio à família, através do abono a crianças e jovens ou da rede de cuidados infantis e escolas públicas, são outras falhas apontadas, reiterando-se a necessidade de demissão do executivo de Passos Coelho e Portas e a convocação de eleições legislativas antecipadas.