O cabeça de lista do PCTP/MRPP às eleições para o Parlamento Europeu, Leopoldo Mesquita, aponta o caso dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC) como «um dos efeitos» da economia do euro.

À porta da empresa pública, subconcessionada ao grupo Martifer, Leopoldo Mesquita defendeu que a adesão de Portugal à moeda única «levou até ao fim um processo de destruição da estrutura produtiva do país, em setores estratégicos para o país».

«Este processo sofreu um agravamento desde a entrada no euro. É uma moeda extremamente sobrevalorizada e, no caso dos ENVC, é uma das fontes da dificuldade em receber e cumprir encomendas, uma vez que se torna muito mais barato construir navios nos estaleiros de outros países que têm uma moeda mais fraca do que o euro», sustentou o cabeça de lista do PCTP/MRPP.

Nesse sentido, defendeu a reposição de «um novo escudo» o que, justificou, «permitiria que os preços praticados por uma unidade deste tipo fossem mais competitivos» e, que «o país recuperasse a soberania e a independência para poder promover um plano de desenvolvimento nacional, assente nas atividades ligadas ao mar».

«A saída do euro e a reposição do novo escudo, evidentemente levado à prática por um novo Governo democrático e patriótico, permitirá, sem dúvida, voltar a pôr de pé um setor fundamental como é o setor da reparação e construção naval», considerou.

A ação de campanha do partido à porta dos ENVC em Viana do Castelo previa a participação de «alguns» ex-trabalhadores, mas apenas um compareceu.

O candidato a deputado europeu apontou «razões de ordem particular» para justificar as ausências mas admitiu que «o forte clima de intimidação que existe sobre os trabalhadores» poderá também explicar a fraca mobilização.

«Um forte clima de intimidação baseado numa promessa, que não passa disso, no nosso entender, que é a de alguns ex-trabalhadores poderem vir a ser contratados pela nova empresa que tomou conta deste espaço», afirmou.

Para o cabeça de lista do PCTP/MRPPP, este «receio» é uma das consequências da integração no euro, que conduz, afirmou, à «liquidação progressiva da liberdade e democracia».

«Está a instalar-se, à sombra do euro, uma nova forma de fascismo em que as pessoas têm o mesmo receio de se manifestar que tinham antes do 25 de Abril», disse.