Os chefes das diplomacias de Portugal e da Dinamarca defenderam hoje a definição pela União Europeia (UE) de «metas ambiciosas» em matéria de Clima e Energia, destacando a criação de «um verdadeiro mercado único europeu» e respetivas infraestruturas.

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, recebeu hoje em Lisboa o homólogo dinamarquês, Martin Lidegaard, para um encontro seguido de almoço de trabalho em boa parte dedicado ao Pacote Clima Energia 2030, a discutir no Conselho Europeu de 23 e 24 de outubro.

«Defendemos metas ambiciosas para 2030», disse Machete, destacando «o compromisso de Portugal para com a redução da emissão de gases com efeito de estufa e para com o consumo de energia de fonte renovável» e manifestando a expetativa de que «todos os países da UE se associem a esse esforço».

O ministro frisou a «necessidade de criar um verdadeiro mercado europeu de energia», considerando que as interconexões entre Portugal e Espanha «são ilhas na UE» e exigem «uma aposta clara no reforço das interconexões ao nível europeu».

«Não podemos fixar metas de distribuição e de consumo de energias renováveis sem reforçar de forma conveniente as ligações entre os diversos países (para) garantir que países como Portugal (…) possam partilhar parte da sua produção com o resto do mercado europeu», disse.

Martin Lidegaard assegurou, por seu lado, que a «Dinamarca está próxima, lado a lado, com Portugal nesta matéria» e sublinhou a natureza «decisiva» das decisões que os 28 vão tomar sobre o futuro energético da UE.

«Nos próximos 15 anos a UE tem de substituir ou renovar 80% das sua atual capacidade energética, haja o que houver. Agora é a altura de tomar decisões importantes e ambiciosas, que garantam que deixamos a atual dependência de importações, que temos um verdadeiro mercado único, com preços mais baixos e mais sustentável», disse o ministro dinamarquês.

Rui Machete adiantou, por outro lado, que recebeu o apoio da Dinamarca à candidatura de Portugal ao Conselho de Direitos Humanos da ONU para o triénio 2015-2017 e assegurou o apoio de Portugal à candidatura dinamarquesa à presidência da Assembleia-Geral da ONU em 2015-2016.