O Governo português disse ver "com serenidade" a entrada de Kristalina Georgieva na corrida à liderança das Nações Unidas, hoje anunciada pela Bulgária, reiterando o valor da candidatura de António Guterres, que foi "transparente e a tempo".

A Bulgária mudou a sua candidata ao cargo de secretário-geral da ONU, substituindo Irina Bokova por Kristalina Georgieva, uma alteração que o ministro dos Negócios Estrangeiros português, Augusto Santos Silva, disse encarar "com toda a serenidade". 

Apresentámos a candidatura do engenheiro António Guterres no fim do mês de fevereiro. Fizemo-lo a tempo, com toda a transparência e de forma a que António Guterres fosse sujeito a todas as provas e passos que o processo de seleção a secretário-geral das Nações Unidas hoje exige", afirmou à Lusa.

Mais, "as diligências continuarão no sentido de valorizar os méritos da nossa candidatura. Essa é a única coisa que nos interessa", garantiu.

Kristalina Georgieva, candidata apoiada pela chanceler alemã, Angela Merkel, é considerada a mais difícil adversária do ex-primeiro-ministro português António Guterres na corrida à liderança das Nações Unidas.

Questionado se o aparecimento desta candidatura, depois de concluída a primeira fase de votações indicativas pelo Conselho de Segurança da ONU afeta a transparência do processo de eleição do sucessor de Ban Ki-moon, Santos Silva disse ser compreensível a possibilidade de "candidaturas supervenientes".

Podia haver um impasse ou não haver uma ideia tão clara de qual era o consenso que se podia formar no Conselho de Segurança", admitiu.

Guterres, que durante dez anos foi alto comissário das Nações Unidas para os Refugiados, venceu as cinco votações até agora realizadas, repetindo, na passada segunda-feira, o resultado da votação anterior: 12 votos "encoraja", dois "desencoraja" e um "sem opinião". Além disso, participou nas audições e debates promovidos pela ONU.

O Governo português, acrescentou, "apresentou uma só candidatura, não apresentou uma candidatura a prazo ou sob condições".

A Bulgária anunciou, antes da última votação do Conselho de Segurança, que ocorreu esta segunda-feira, que poderia retirar o apoio a Irina Bokova caso a candidata não figurasse no primeiro ou segundo lugares, mas a diretora da Unesco piorou o seu resultado e teve sete votos "desencoraja", contra seis "encorajamentos".

Saudamos todas as candidaturas. A candidatura de António Guterres não é contra ninguém, é uma candidatura unicamente positiva", sublinhou Santos Silva.

"Portugal tem um candidato, o engenheiro António Guterres, e é nesse candidato que pensa e é no valor desse candidato que pensa e o valor tem sido reconhecido", acrescentou.

O ministro destacou que a apresentação da candidatura do antigo primeiro-ministro português ao cargo de secretário-geral da ONU foi "uma necessidade".

As circunstâncias e os tempos de hoje exigem uma pessoa com experiência política, com qualidades pessoais, com visão do Mundo e do que é preciso fazer no Mundo, e com uma sensibilidade particular para os grandes temas que constituem hoje a agenda internacional, como a paz, a resolução de conflitos, as migrações, os dramas humanitários, o diálogo Norte/Sul", destacou.

"Essa foi a nossa maneira de proceder. Quanto à maneira de proceder dos outros, não tenho nenhum comentário a fazer. O processo de António Guterres é absolutamente exemplar", reiterou.

A próxima votação do Conselho de Segurança está prevista para a primeira semana de outubro, mas agora ficará a conhecer-se a posição dos membros permanentes - Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido -, com poder de veto.

Santos agradece o apoio do PSD a Guterres

O PSD manifestou, hoje, apoio a Guterres, no âmbito da reunião da comissão parlamentar de Assuntos Europeus.

Na resposta à posição do PSD, Santos Silva assinalou o apoio dos partidos na campanha para o cargo de secretário-geral da ONU.

"Conheço bem, agradeço e saliento o apoio das forças políticas e o empenhamento de todos os órgãos de soberania, incluindo esta Assembleia, na promoção da candidatura do engenheiro António Guterres", disse.

O ministro apontou que a candidatura de Guterres tem "quatro forças essenciais: as qualidades pessoais do candidato, a posição portuguesa e a diplomacia portuguesa, a transparência com que a candidatura foi apresentada e o apoio unânime de que beneficia em Portugal".

Antes, em declarações aos jornalistas, o governante sublinhou que "se tem formado um consenso no Conselho de Segurança" sobre os méritos da candidatura de António Guterres, recordando que, à quinta votação, é o único que tem mais do que os nove votos necessários para ser eleito.

Entretanto, também o CDS reagiu ao anúncio, pela voz de Nuno Magalhães: “Foi com surpresa que recebemos essa notícia, mas mantemos a total confiança e sobretudo o total apoio àquela que não somos nós, CDS, não somos nós, portugueses, que dizemos, é o Conselho de Segurança da ONU que tem reiteradamente e há muito tempo dito que a melhor candidatura é a do engenheiro António Guterres”.