O ministro da Saúde disse esta sexta-feira que a abertura de pelo menos mais 100 Unidades de Saúde Familiar nesta legislatura é um objetivo claro de aproximação às ideias socialistas, explicando que devolver hospitais às Misericórdias não é uma prioridade.

Fernando Leal da Costa foi esta sexta-feira questionado pelos jornalistas, no final de uma visita, sobre as medidas inscritas no programa de Governo sobre a área da saúde, propondo-se o executivo PSD/CDS-PP a criar pelo menos mais 100 novas unidades de saúde familiar, durante a legislatura, uma bandeira eleitoral do PS que não constava da proposta da coligação, tendo retirado a devolução dos hospitais às Misericórdias.

“No prazo da legislatura iremos abrir pelo menos mais 100 unidades de saúde familiar [USF]. É um objetivo modesto mas é também um objetivo claro de aproximação às ideias que vinham sendo preconizadas pelo PS, mas acima de tudo tornar claro, para que não haja dúvidas em nenhuma mente, de que nós mantemos uma aposta muito firme na construção de USF e no modelo de cuidados primários. Aliás o programa tem mais do que uma referência aos cuidados primários”, respondeu aos jornalistas.


Segundo o ministro da tutela, “é a primeira vez que um Governo se compromete a atribuir um médico de família a todos aqueles que o desejarem até ao fim de 2017”.

“Hoje mesmo serão libertados os dados mais recentes de cobertura em termos de médicos de família. Nós atribuímos médicos de família a mais 780 mil portugueses, o que é mais do que os 500 mil portugueses do que o PS tinha no seu programa eleitoral”, acrescentou.

Sobre a questão da devolução dos hospitais às Misericórdias não constar do programa de Governo, Fernando Leal da Costa começou por explicar que o executivo entende que “uma coisa é o programa eleitoral, outra coisa é o programa de Governo”.

“O que nós entendemos é que no conjunto das prioridades que era preciso elencar no nosso programa, o Ministério da Saúde e o Governo no seu todo entendeu que essa não era seguramente a matéria mais relevante neste momento para indicar no programa e retiramos da primeira linha do programa do Governo porque esse não é neste momento o problema mais importante”, justificou, acrescentando que “o que havia para fazer foi feito, ou seja, a devolução da gestão de quatro hospitais” já foi feito.


O governante realçou que, no programa de Governo, várias vezes é indicado que se conta com o terceiro setor e com os demais participantes no sistema de saúde.

“Pareceu-nos redundante estar a criar pressão sobre a devolução de hospitais às misericórdias até porque isso poderia ser alvo de uma leitura que nós entendemos que não é correta e que foi muitas vezes procurada pela oposição sem qualquer tipo de razão de que nós estávamos a alienar património do Serviço Nacional de Saúde”, justificou.

Segundo Fernando Leal da Costa, “esse processo fez o seu caminho, é um processo que a ser conduzido terá que ser avaliado caso a caso”.

“Todo o discurso que foi feito no sentido de que o Governo estava a alienar, a desfazer-se do SNS, não é correto, não é verdadeiro, não foi assim, não vai ser assim e por isso é que não consta do programa”, garantiu.