O ministro da Cultura, João Soares, afirmou hoje que o PCP é "um grande partido do povo" e um partido com "imensa sensibilidade" para as questões da Cultura.

"Eu reconheço, não obstante as divergências que possa ter tido e que tenha com o PCP, que o PCP é um grande partido do povo, é um grande partido da esquerda portuguesa e é um partido que revelou, mais uma vez, uma imensa sensibilidade para as questões da Cultura e da nossa terra. E eu tenho de reconhecer isto porque é um facto histórico para mim absolutamente indiscutível", afirmou.

João Soares falava na Covilhã, durante a apresentação do livro "As Pinturas do Salão dos Continentes na Casa das Morgadas e Arte na Covilhã no início do século XVIII", uma cerimónia na qual também marcou presença o secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa.

A obra hoje apresentada documenta o processo de reabilitação de pinturas protobarrocas, que figuram no Centro de Trabalho do PCP, naquela cidade, uma intervenção levada a cabo, em 2001, numa parceria entre a Região de Turismo da Serra da Estrela, o Instituto Português do Património Arquitetónico e o PCP.

Elogiando o contributo de todos, João Soares fez questão de deixar "uma palavra de profunda gratidão ao PCP", tendo depois lembrado o papel que este partido em termos da cultura nacional.

João Soares destacou igualmente a figura de Álvaro Cunhal, que, "para além deter sido um dirigente político absolutamente notável e com um papel histórico incontornável, foi um grande homem de Cultura".

O facto de o PCP ter sido o único partido a conseguir manter a edição regular de um jornal clandestino [Avante!] durante a ditadura fascista foi outro dos aspetos elogiados pelo ministro da Cultura, que também invocou a memória do artista plástico José Dias Coelho, assassinado às mãos da PIDE.

"Há uma sensibilidade cultural que é absolutamente indiscutível e que tem de ser assinalada do ponto de vista histórico porque é de inteira justiça", reiterou, ressalvando que o seu testemunho é "insuspeito".

Além disso, e sem fazer nenhuma promessa concreta, João Soares comprometeu-se a procurar "soluções de imaginação e inteligência" para dar resposta ao repto que lhe foi deixado pelo presidente da Câmara da Covilhã, Vítor Pereira, no sentido de ajudar a materializar alguns dos projetos que a autarquia quer concretizar no domínio cultural.