O candidato às eleições primárias do PS António Costa disse, este sábado, estar disponível para debater a dívida pública caso venha a ser eleito, um desafio lançado pela ministra das Finanças na Universidade de Verão do PSD.

«Com certeza que é uma questão central do país que deve ser discutida», respondeu aos jornalistas, à margem de uma ação de campanha, em Leiria, salientando, contudo, haver «uma coisa que é clara» e que passa por «mudar de política económica» para o país ter «uma consolidação saudável» das finanças públicas.

Para António Costa, «se houve coisa que este Governo demonstrou ao longo destes três anos é que o problema das finanças públicas não se resolve em si próprio, resolve-se com uma economia sã».

«E uma economia sã precisa de termos uma economia competitiva, aí é o cerne do problema, é aí que nos temos de concentrar», acrescentou.

Seguro terá «todo o gosto» em debater dívida pública

O secretário-geral do PS, António José Seguro, afirmou que terá «todo o gosto» em debater a questão dívida pública no parlamento e recordou que já anteriormente tinha defendido a antecipação dos pagamentos ao Fundo Monetário Europeu (FMI).

«Terei todo o gosto em fazer esse debate no parlamento, mas mais importante do que o debate é que se tomem medidas concretas para nós enfrentarmos este problema da dívida», afirmou em resposta à ministra das Finanças.

«O Governo finalmente, através da ministra das Finanças, veio reconhecer que a dívida é um problema. Andou tarde, mas finalmente veio reconhecer. Agora é necessário passar das palavras aos atos», sublinhou em declarações aos jornalistas, prestadas à margem de uma ação de campanha para as primárias de 28 de setembro, realizada na aldeia histórica de Castelo Rodrigo.

António José Seguro reiterou a ideia de que Portugal precisa de «baixar rapidamente os custos com o serviço da dívida» e sublinhou que já anteriormente tinha apresentado propostas nesse sentido, designadamente, e tal como hoje também foi referido pela ministra das Finanças como uma possibilidade do pagamento antecipado ao FMI.

«É pública a proposta que fiz na reunião de Conselho de Estado para pagarmos ao FMI os 26 mil milhões de euros que devemos porque estamos a pagar uma taxa de juro superior à taxa de mercado e nesse sentido substituindo essa dívida conseguimos aliviar juros, baixar o nosso défice», lembrou, lamentando que só hoje a ministra das Finanças tenha assumido essa possibilidade.

«São propostas muito concretas que é possível concretizar, aliás hoje a ministra veio reconhecer que isso é possível, e para as quais o Governo só agora acordou. Lamento, porque se perderam três anos quando era possível, como sempre defendi, aliviar os sacrifícios dos portugueses», afirmou.