O deputado socialista Pedro Silva Pereira acusou o Ministério dos Negócios Estrangeiros de «apagamento», mas o ministro Rui Machete respondeu que a diplomacia não se faz «nas parangonas dos jornais e no aparente protagonismo de alguns ministros».

Durante uma audição na terça-feira do ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, pela comissão parlamentar dos Negócios Estrangeiros, o deputado do PS considerou que o governante apresentou uma «imagem de apagamento» do Ministério dos Negócios Estrangeiros.

Este Ministério, sublinhou Silva Pereira, «perdeu a diplomacia económica e a Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal [AICEP], que estão agora sob tutela do vice-primeiro-ministro», Paulo Portas, anterior responsável da pasta dos Negócios Estrangeiros.

Rui Machete «não faz qualquer referência» à diplomacia económica e «está limitado na condução da política europeia pelo ascendente da ministra das Finanças», referiu o deputado do PS.

«Está a gerir um conjunto de cortes no seu Ministério, que afetam o coração da atividade, com o desinvestimento na política de cooperação, com o recesso de organizações internacionais e problemas que se vão sentindo na nossa rede diplomática e consular», criticou.

Um dos exemplos do que disse ser o «desinvestimento na cooperação» é a ausência, «que se arrasta há meses», de uma representação diplomática de Portugal junto da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), em sequência da doença da embaixadora, apontou Pedro Silva Pereira.

«Continuamos a cooperar na política de caráter económico. O facto de nem sempre se aparecer nos jornais significa que não seja feita e que não seja feita com eficácia», respondeu Rui Machete, que quis «deixar de parte essas pequenas picardias».

O ministro sublinhou depois que «a diplomacia não se decide nas parangonas dos jornais e no aparente protagonismo de alguns ministros», mas «decide-se com eficácia».

A contrariar «essa vil tristeza que [Silva Pereira] parece inculcar à atividade» do Ministério, Rui Machete deu o exemplo do papel que Portugal pode ter na política em relação à segurança marítima no golfo da Guiné, que afeta diretamente quatro países da CPLP - Angola, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Guiné-Bissau.

Sobre a CPLP, o governante revelou que já foi designado o embaixador junto da CPLP, há duas semanas.

«Estava-se à espera que a senhora embaixadora pudesse recuperar mais cedo, o que não aconteceu, embora esteja a melhorar», acrescentou.