O presidente da concelhia do PSD/Porto alertou hoje ser «muito grande» a possibilidade de haver fraturas na autarquia local, uma vez que esta é gerida por uma coligação «anti-natura» formada por elementos «do CDS, ex-social democratas, socialistas e independentes».

«Uma coligação que é uma amálgama das famílias políticas todas a governar uma câmara tem um prejuízo muito grande para os cidadãos. A possibilidade de haver fraturas nesta pluralidade de pessoas é muito grande», afirmou Miguel Seabra, em declarações à Lusa.

O responsável concelhio do PSD alerta que um dos principais problemas é «a preponderância do PS na Câmara», com quem o independente Rui Moreira fez uma coligação pós-eleitoral, já que, «contrariando a lógica que levou as pessoas a votar em Rui Moreira, apoiado pelo CDS, as pessoas vêm aprovadas muitas propostas com cunho socialista».

«O PS teve 20% dos votos nas eleições. Foi o pior resultado de sempre. Termos um partido que teve 20% nas autárquicas a mandar na Câmara do Porto pela porta dos fundos... as pessoas sentem-se traídas, porque não foi nisso que votaram», destacou.

A edição desta quinta-feira do jornal Público avança que o presidente da Câmara do Porto pode retirar os pelouros a Sampaio Pimentel, o vereador do CDS responsável pela Fiscalização e Proteção Civil, que ocupou o número dois da lista do candidato independente (a vice-presidência foi atribuída a Guilhermina Rego, que integrou o executivo de Rui Rio e no verão de 2013 se desfiliou do PSD para apoiar Moreira).

Miguel Seabra não quis «conjeturar sobre coisas que hipoteticamente podem acontecer» nem comentar a notícia, que refere a possibilidade de o autarca negociar com o CDS uma solução que passe pela substituição de Pimentel por Manuel Aranha, também do CDS (ocupava o sétimo lugar da lista de Moreira), mas admitiu a dificuldade de «conciliar posições» no atual executivo camarário.

«É uma coligação anti-natura, com elementos do CDS, ex-PSD, socialistas e um independente a liderar tudo», frisou.

O presidente do PSD/Porto referiu-se concretamente ao regulamento de habitação recentemente aprovado pela autarquia, admitindo divergências na maioria.

«É natural que pessoas que pensam politicamente tão diferentes discordem, mesmo que o tenham aprovado», alertou.

«Abrir um buraco na rua é uma coisa, mas em questões eminentemente políticas, como as salas de chuto, obviamente vai haver choques», acrescentou.

Para Miguel Seabra, a dificuldade em «conciliar posições» passa pela área da «ação social» mas também pela «financeira».

«Durante a gestão PSD/CDS, orçamentalmente diminuiu sistematicamente a despesa. Este ano já assistimos a um aumento da despesa de 3,5%», destacou.

No dia 13, o líder da distrital do CDS/Porto, Álvaro Castello-Branco, acusou de «arrogância» e «ignorância» o recém-nomeado diretor artístico do Teatro Rivoli, Tiago Guedes, por este fazer «considerações políticas» enquanto trabalhador «avençado da Câmara».

Em entrevista ao jornal Público, o diretor artístico do Rivoli disse que o teatro foi deixado «em muito mau estado pelo Filipe La Féria» e criticou a «inexistência de uma política cultural» na cidade nos últimos anos.

Contactada pela Lusa, fonte oficial da Câmara do Porto afirma que «não confirma nem desmente qualquer cenário de rutura na autarquia».