O primeiro-ministro britânico, David Cameron, assegurou, esta sexta-feira, em Lisboa que o Reino Unido vai receber milhares de refugiados sírios a juntar aos 5.000 que já reinstalou, mas remeteu os pormenores para a próxima semana.

“Aceitámos 5.000 sírios e criámos um programa específico de reinstalação (…) Vamos aceitar mais milhares, com este sistema que já existe, e vamos manter o número em revisão”, contou.

Cameron frisou que a estratégia do seu Governo vai continuar a ser a de “retirá-los dos campos de refugiados”, para “lhes permitir uma rota mais direta e segura para o Reino Unido, em vez de arriscarem na perigosa viagem que tragicamente custou tantas vidas”.

O primeiro-ministro britânico, que falava à imprensa em Lisboa, numa declaração sem direito a perguntas, após um encontro com Passos Coelho, tem sido crescentemente criticado na Europa e no Reino Unido, incluindo pela ala eurocética do seu partido Conservador, pela falta de iniciativa em face da crise migratória que a Europa atravessa.

“A Grã-Bretanha vai agir com a cabeça e o coração”, reforçou, depois de sublinhar que o país “tem uma responsabilidade moral” que tem cumprido, sendo dos que mais tem feito para ajudar os refugiados do conflito sírio.

“Como segundo maior doador bilateral, demos mais 900 milhões de libras [12,3 milhões de euros] em ajuda aos afetados na Síria e na região. Financiámos abrigo, alimentos, água e medicamentos para milhões de pessoas que fogem do conflito”, em particular na Jordânia e na Síria, sustentou.

“Nenhum outro país europeu fez mais do que o Reino Unido neste aspeto”, acrescentou, frisando que “sem essa ajuda maciça, o número dos que fazem a perigosa viagem para a Europa seria ainda mais alto”.

Cameron referiu ainda as missões da Marinha britânica no Mediterrâneo para frisar que o Reino Unido “vai continuar a salvar pessoas no mar”, como até agora, tendo já salvado 6.700 pessoas.

O primeiro-ministro português espera, por seu lado, que haja um debate aberto sobre as propostas de reforma da União Europeia a apresentar pelo Governo britânico, mas defendeu que é preciso salvaguardar a liberdade de circulação de pessoas.

Pedro Passos Coelho falava com o primeiro-ministro britânico, David Cameron, ao seu lado, em declarações aos jornalistas, depois de os dois terem estado reunidos durante cerca de uma hora, na residência oficial de São Bento.

"Estamos convictos de que a pertença à União Europeia é profundamente vantajosa para os nossos países e para os nossos cidadãos. Esperamos que, com base num conjunto de propostas que o Reino Unido deverá, em breve, apresentar, seja possível ter um debate aberto, que permita encontrar a melhor forma de fazer as mudanças que são necessárias, para que todos tiremos o melhor partido do projeto europeu e para que, em particular, os cidadãos do Reino Unido reconheçam inequivocamente as suas vantagens", afirmou.

Em seguida, o chefe do executivo PSD/CDS-PP defendeu que é preciso "encontrar soluções consensuais que protejam os valores da União enquanto projeto humanista e de paz, e que salvaguardem as liberdades fundamentais, incluindo a circulação de pessoas", que apontou como "a base da União" e das "sociedades modernas e abertas" dos seus Estados-membros.

"Estou certo de que será possível trabalhar em conjunto para, como sempre no passado da União, encontrar as respostas que nos sirvam a todos e que protejam quer o Estado social britânico, quer os direitos dos milhares de portugueses que, em tempos de dificuldades, encontraram, por exemplo, emprego no Reino Unido, e assim contribuem também para o crescimento económico do Reino Unido", acrescentou.