O primeiro-ministro, António Costa, considerou esta segunda-feira, em Bruxelas, que os líderes europeus estão a analisar a “proposta mais ambiciosa” que a Turquia alguma vez apresentou e que inclui, nomeadamente, a futura adesão turca à União Europeia (UE).

“Acho que nunca tinha havido uma proposta tão ambiciosa como aquela que a Turquia apresentou hoje e isso requer trabalho”, afirmou o chefe do executivo, justificando o prolongamento de um encontro previsto para ser um almoço de trabalho sobre refugiados.

Aos jornalistas portugueses, António Costa indicou que o primeiro-ministro turco, Ahmet Davutoglu, chegou a Bruxelas com uma “proposta mais ambiciosa do que era a expectativa inicial”.

“Admito que possa haver algumas questões de natureza jurídica que fiquem pendentes para o próximo Conselho (Europeu, que junta os líderes dos 28)”, que decorrerá na próxima semana, disse.

O chefe do Governo acrescentou ser um “sinal muito positivo que a Turquia tenha apresentado uma proposta tão ampla e tão ambiciosa”.

António Costa enumerou vários assuntos colocados em cima da mesa pela Turquia, além dos refugiados, como a sua adesão à UE e a relação com o Chipre.

“E várias questões contenciosas que há muitos anos bloqueavam as relações entre a UE e a Turquia”, resumiu.

Costa escusou-se a adiantar desfechos para as negociações desta noite.

“Vamos ver, ainda é cedo. Temos estado a praticar um regime de maratonas e com o Reino Unido correu bem, espero que a Turquia possa também correr bem”, afirmou o responsável, reportando-se ao acordo alcançado para o primeiro-ministro britânico, David Cameron, fazer campanha pelo sim no referendo sobre a permanência do território na UE.

Logo à entrada para a reunião com os chefes de Estado e do Governo dos 28, Ahmet Davutoglu, afirmou que o foco não estaria apenas na migração irregular, mas também no processo de integração da Turquia na UE.