O líder do partido Nós, Cidadãos!, Mendo Castro Henriques, admitiu esta sexta-feira a impugnação da eleição pelo círculo Fora da Europa, caso venham a confirmar-se “irregularidades” nas votações dos emigrantes para as eleições legislativas.

“Queremos acreditar que haja falta de meios, não queremos dar uma interpretação pior, mas é inaceitável”, disse Mendo Castro Henriques, acrescentando que o partido admite a impugnação da eleição do deputado pelo círculo Fora da Europa, em caso de “irregularidades”.


Em conferência de imprensa à porta do Banco de Portugal, em Lisboa, o também cabeça de lista do partido por Lisboa adiantou que a impugnação da eleição por Fora da Europa será tomada depois das eleições legislativas de 04 de outubro, tendo em conta que, neste momento, quer "acreditar que [as dificuldades sentidas com a votação no exterior] é uma disfunção do sistema”.

Realçando ser possível a eleição do candidato do Nós, Cidadãos! Pelo círculo Fora da Europa, Pereira Coutinho, o dirigente do partido considerou “escandaloso” o que se está a passar com a votação dos emigrantes.

“Esperemos que venha a ser revertida a situação que se está a passar, são vários os problemas. Em primeiro lugar, o atraso no envio dos boletins, depois as cartas de endereço não vêm sequer com a palavra Portugal e, em terceiro lugar, há moradas erradas, isto é, pessoas com cartas extraviadas”, afirmou.

Para o partido, “a situação compromete objetivamente, e de forma ilegal a participação dos eleitores recenseados nestes círculos”.

Nesse sentido, o Nós, Cidadãos! apresentou uma queixa à Comissão Nacional de Eleições (CNE) relativa às “irregularidades gravíssimas que têm marcado a votação nos círculos eleitorais da Europa e de Fora da Europa”.

Nas redes sociais, vários cidadãos eleitores portugueses residentes em Macau têm revelado que os boletins de voto ainda não chegaram, uma situação que pode também derivar de algum erro nas moradas.

Na quarta-feira, os Serviços de Correios de Macau informaram que os eleitores portugueses residentes no território devem enviar ainda esta semana os boletins de voto das legislativas para Lisboa, devido aos feriados que serão celebrados na cidade na próxima semana.
 

Tribunais especializados no crime económico


O partido defendeu hoje a criação de tribunais especializados no crime económico, considerando que atualmente há investigação e prova, mas é bloqueada por falta de peritos.

“Estamos escandalizados e não percebemos porque está ausente da campanha a abordagem do tema da justiça, que está inteiramente relacionado com isto [crime económico]”, disse aos jornalistas o cabeça de lista do Nós, Cidadãos! pelo círculo de Viseu, Marco Dias, numa conferência de imprensa realizada junto à sede do Banco de Portugal, em Lisboa.


Marco Dias adiantou que os tribunais “não têm juízes” e “profissionais residentes” especializados no crime económico, sublinhando que se “pode fazer muita investigação e arranjar muita prova, mas os casos chegam aos tribunais e é “tudo bloqueado”.

Nesse sentido, o Nós, Cidadãos! defendeu a criação de tribunais e juízes especializados no crime económico.

“Quando vamos a um tribunal para tratar de qualquer assunto relacionado com contabilidade e fiscalidade, o juiz não percebe e é preciso vir um perito externo e depois confiar na opinião dele. Os tribunais deviam ter esses peritos residentes e analisar tudo de forma imparcial”, afirmou, acrescentando que “há muitos problemas relacionados com o crime económico que não são devidamente tratados” na justiça.


O Nós, Cidadãos! chamou os jornalistas para fazer uma conferência de imprensa junto ao Banco de Portugal para “alertar para anos sucessivos de incúria” e “falta de supervisão” desta entidade, realçou o líder do partido, Mendo Castro Henriques.

Mendo Henriques, cabeça de lista por Lisboa, falou de “escândalos sucessivos que atingiram o BES, BPN, BPP” e de “uma justiça que tarda”, relembrando que cada português tem que despender “cerca de 2.000 euros da sua carteira para pagar o mal e a falta de supervisão dos outros”.

Para acabar com estas situações, o partido propõe alterar “a lei da responsabilidade dos tutelares de cargos políticos e governamentais” ao impor “sanções, quer por negligência grosseira, quer por gestão danosa desses mesmos titulares”.

“Estamos em frente ao Banco de Portugal porque estamos perante um falhanço total na política de regulamentação”, considerou Mendo Castro Henriques.

Na sexta-feira, a agência Lusa noticiou que os boletins para os emigrantes recenseados em Timor-Leste já tinham sido enviados há mais de uma semana, mas ainda não tinham chegado a Díli, sendo difícil garantir que, depois de preenchidos, possam chegar a Portugal a tempo.