O patriarca latino de Jerusalém pediu, esta quarta-feira, um papel mais interventivo de Portugal e da União Europeia no Médio Oriente. Fouad Twal pediu aos portugueses que lutem pelos palestinianos como lutaram pelos timorenses.

«Apelo em especial a Portugal, encorajo Portugal a fazer todos os esforços para levar a União Europeia a ter um papel mais interventivo no Médio Oriente», disse Fouad Twal, que falava em Lisboa, numa conferência sobre a situação dos cristãos no Médio Oriente.

«Queremos que estejam mais envolvidos, queremos Portugal e a União Europeia mais perto de nós», disse, sublinhando que a procura da paz no Médio Oriente não pode ser apenas tarefa de Israel e dos Estados Unidos.

De acordo com a Lusa, o patriarca lembrou a luta dos timorenses contra a anexação de Timor-Leste pela Indonésia, sublinhando que neste processo contaram sempre com o apoio dos portugueses.

«Lutem pelos palestinianos como lutaram durante 20 anos pelos timorenses», disse o patriarca latino de Jerusalém, mostrando-se esperançado que a conquista da independência de Timor-Leste possa «servir de inspiração aos palestinianos».

Em declarações à agência Lusa, à margem da conferência, Fouad Twal mostrou-se insatisfeito com o papel da União Europeia no conflito israelo-palestiniano, considerando que «podem fazer mais».

«Não estou desiludido, mas também não estou satisfeito. Eles podem fazer mais, mais, mais¿ Israel e os Estados Unidos querem o monopólio desta região e nós queremos que a Europa esteja com eles na procura de mais paz, mais justiça e mais dignidade», afirmou.

Fouad Twal defendeu ainda que a Igreja Católica e o Governo portugueses «devem sentir-se responsáveis pela Terra Santa porque existem muitas ligações entre Portugal e Jerusalém».

O patriarca da Jerusalém, que este ano presidiu à peregrinação anual de Fátima, sustentou que «é preciso que os peregrinos [portugueses] visitem cada vez mais a Terra Santa para encorajarem a comunidade cristã local e para que esta não se sinta mais abandonada nestes tempos terríveis».

Para o patriarca, os cristãos do Médio Oriente, que são hoje uma pequena minoria da população local, atravessam «a pior situação de sempre».

«O facto de termos revoluções em todo o lado e de a comunidade internacional encorajar essas mudanças... mas o que pergunto é: mudar para o quê? O que é que vem a seguir? Que tipo de liderança vem depois?», questionou.

«Este é o pior momento [para os cristãos]», disse, referindo em particular o caso da Síria, onde a guerra civil que dura há três anos causou milhares de mortos e refugiados.

A violência contra os cristãos no Médio Oriente, em países como a Síria, o Iraque ou o Egito, agravou-se nos últimos dois anos e a Igreja Católica alerta que poderá estar em causa a sua sobrevivência naquela região, incluindo na Terra Santa.

O papa Francisco, que de 24 a 26 de maio visita a Terra Santa, manifestou em novembro, durante um encontro com patriarcas e arcebispos das igrejas orientais católicas, «grande preocupação» com «as condições de vida dos cristãos que em muitas partes do Médio Oriente sofrem de maneira particularmente forte».

Sobre a próxima visita do Papa, o patriarca de Jerusalém disse que «com certeza» Mário Bergoglio «falará de mais paz, de mais justiça e mais dignidade» e que, além da dimensão pastoral, a visita terá «dimensão política».

Questionado sobre se a deslocação do Papa poderá trazer alguma mudança à região, Fouad Twal respondeu: «É difícil mudar. Espero que comece [a mudar]».