O presidente da Câmara Municipal de Lisboa atribuiu, esta segunda-feira, a Medalha Municipal de Honra da Cidade a Manuel Alegre, considerando que o poeta ganhou a honra de fazer parte da História da capital e do país por direito próprio.

“Manuel Alegre ganhou, por direito próprio, a honra de fazer parte da História de Lisboa e de Portugal”, afirmou Fernando Medina nos Paços do Concelho de Lisboa.

De acordo com a Lusa, perante uma sala cheia, o presidente do município vincou também que “a justiça da entrega da Medalha de Honra da Cidade a Manuel Alegre é, pois, inquestionável”.

O poeta e antigo deputado à Assembleia Constituinte e à Assembleia da República Manuel Alegre foi homenageado no dia em que comemorou 42 anos do regresso do exílio, onde passou uma década.

Quando discursou, Alegre recorreu a uma metáfora ao afirmar que está a “nascer uma terceira vez”, tendo sido a primeira em Águeda, sua terra natal, e a segunda em Coimbra, onde estudou.

“Permitam-me que partilhe esta medalha de honra com a minha família, com todos os companheiros de resistência, todas e todos os que sofreram prisões, torturas, exílios, todas e todos que ao longo de quase meio século nunca se renderam, e mantiveram acesa a chama da liberdade conquistada a 25 de Abril”, salientou.

A cerimónia contou com a presença do ministro da Cultura, Luís Filipe Castro Mendes, da antiga candidata à Presidência da República Maria de Belém, do presidente da Associação 25 de Abril, Vasco Lourenço, da presidente da Assembleia Municipal de Lisboa, Helena Roseta, e também de alguns vereadores e deputados municipais.

Fernando Medina afirmou ainda que “Manuel Alegre deixa um contributo de enorme futuro para a esquerda portuguesa”, pois “é talvez o político de esquerda que melhor soube pronunciar em simultâneo o ‘ser de esquerda’ e ser patriota, com o mesmo sentido de orgulho, com o mesmo sentido de noção de serviço público e de serviço ao país que sempre o norteou”.

Em meados de abril, a Câmara de Lisboa aprovou por unanimidade, em reunião privada, a atribuição da Medalha Municipal de Honra da Cidade ao escritor e histórico socialista.

A par da medalha, o município ofereceu a Manuel Alegre um quadro com a primeira página do jornal Diário de Notícias, exemplar do dia 3 de maio de 1974.

“Sinto-me muito honrado com a distinção conferida pela Câmara Municipal de Lisboa”, referiu o antigo deputado.

No início da cerimónia, o jornalista e amigo do poeta José Carlos de Vasconcelos lembrou o seu percurso pessoal e literário, e a atriz Maria do Céu Guerra declamou alguns dos poemas de Manuel Alegre dedicados à cidade de Lisboa.

Referindo viver em Lisboa há 42 anos, Manuel Alegre considerou ser da capital “há séculos”.

“Estou aqui há séculos, nesta capital de império que, mesmo sem império, continua a ser uma das grandes capitais do mundo”, sublinhou, roubando risos à plateia quando acrescentou que “depois das obras ainda vai ficar melhor”.

Fazendo uma análise mais geral do país, o socialista foi taxativo: “Tivemos de ser desobedientes para sermos quem somos, e talvez esteja a chegar o dia em que vamos ter de ser desobedientes outra vez”.