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Deputado do PSD: media estão a substituir-se à oposição

Matos Correia criticou posição do Sindicato dos Jornalistas sobre alegadas pressões de Miguel Relvas

Por: tvi24    |   2012-05-19 17:40

O deputado do PSD Matos Correia diz que «os media não se deveriam colocar no papel da oposição ao Governo», referindo-se ao caso que envolve alegadas pressões do ministro Miguel Relvas sobre jornalistas do «Público».

«São muitas as situações em que, em vez dos partidos políticos, são os meios de comunicação social e os jornalistas a fazer o papel de críticos do governo», disse hoje à Lusa o deputado Matos Correia.

Para este deputado social democrata, «quando a oposição parece não saber fazer o trabalho de crítica ao governo, outros aparecem a fazê-lo».

«Não compreendo, por exemplo, como é que o Sindicato dos Jornalistas pode dizer que o ministro Miguel Relvas não tem condições para se manter no Governo», acrescenta José Matos Correia.

O deputado do PSD recusa aceitar a hipótese de Miguel Relvas ter feito pressões sobre jornalistas do «Público» e, por isso, considera que não há motivos para lhe retirar confiança política.

«Eu conheço bem o deputado Miguel Relvas e tenho a certeza de que ele não fez as ameaças de que é acusado. Não há, por isso, motivo para que o primeiro-ministro lhe retire confiança política», diz Matos Correia.

Matos Correia considera que há «uma forte luta interna dentro do jornal "Público", entre jornalistas e Direção de Informação», provocando uma polémica que acabou por colocar em causa a imagem do ministro Miguel Relvas.

O Conselho de Redação do «Público» denunciou na sexta-feira, em comunicado, que Miguel Relvas ameaçou queixar-se ao regulador do setor, promover um «blackout» de todos os ministros ao jornal e divulgar, na Internet, dados da vida privada de uma jornalista, se fosse publicada uma determinada notícia.

A notícia, da autoria de Maria José Oliveira e que acabou por não ser publicada, pretendia evidenciar «as incongruências» das declarações do ministro, na terça-feira, no Parlamento, sobre o caso das secretas.

Numa nota posterior, a direção do jornal justificou-se alegando que «não havia matéria publicável», tendo a decisão sido tomada antes de conhecer as ameaças.

Mais tarde, o Público noticiou que o ministro Miguel Relvas pediu, nesse dia, desculpa ao jornal, depois de a direção ter protestado contra «uma pressão» do governante sobre uma jornalista que acompanha o caso das secretas.

O PS já anunciou que vai pedir a presença do ministro no Parlamento para esclarecer o caso e o PCP considerou que, caso se confirmem as «alegadas pressões» do ministro à jornalista do Público, Miguel Relvas «não tem condições para continuar a ser membro do Governo». Já o Bloco de Esquerda exigiu a clarificação do caso, sublinhando que não pode existir «opacidade» em relação à liberdade de imprensa.

O Sindicato dos Jornalistas (SJ) vai solicitar a intervenção da Entidade Reguladora para a Comunicação Social e da Comissão Parlamentar de Direitos, Liberdades e Garantias. Para o sindicato, a confirmarem-se as ameaças e pressões imputadas ao ministro, este «deixaria de ter condições para manter-se no Governo».

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