O candidato socialista a presidente da Comissão Europeia, Martin Schulz, percorreu hoje a baixa de Lisboa ao lado de António Costa e António José Seguro, fazendo visitas a espaços culturais e elogios à mentalidade investidora norte-americana.

Numa tarde de calor, ao longo de quase três horas, o dirigente social-democrata germânico e atual presidente do Parlamento Europeu, teve sempre a companhia do cabeça de lista do PS às eleições europeias, Francisco Assis, e encontrou-se na livraria Bertrand, no Chiado, com o ensaísta Eduardo Lourenço, simbolicamente o último suplente da lista europeia do PS.

Além da livraria Bertrand, Martin Schulz posou para a fotografia ao lado da estátua de Fernando Pessoa no Chiado, conversou com alguns turistas alemães que encontrou pelo caminho, visitou a loja «Conserveira de Lisboa» e a Fundação Saramago, e esteve quase uma hora na Startup Lisboa, em plena baixa pombalina, onde fez a única intervenção de caráter mais político.

«Nos Estados Unidos, se um jovem investidor é bem-sucedido, está tudo bem; se é mal sucedido, tudo está bem na mesma, porque tenta uma próxima vez. Na Europa, se o jovem não tem sucesso no seu projeto, fica com a marca do falhanço. Temos de mudar esta mentalidade», declarou.

Numa nota de humor, depois de elogiar a criatividade inerente a muitos projetos tecnológicos desenvolvidos por jovens que formam micro e pequenas empresas, o dirigente social-democrata germânico fez uma analogia com o seu caso pessoal perante as eleições do próximo dia 25.

«Se votarem por Seguro ou por Assis, estão a votar em mim. O meu capital de risco são os votos», disse, provocando risos às candidatas socialistas Maria João Rodrigues, Ana Gomes e Elisa Ferreira.

Numa iniciativa em que também estiveram presentes vários eurodeputados cessantes do PS - casos de Correia de Campos, Edite Estrela e Capoulas Santos -, assim como diversos dirigentes socialistas (Miguel Laranjeiro e Carlos Zorrinho, também número três da lista europeia), o presidente do Parlamento Europeu, que foi livreiro nos anos 70, demonstrou em diversas ocasiões um conhecimento profundo sobre a obra de alguns dos mais conceituados escritores portugueses.

Logo no início da visita, quando entrevistado por jornalistas alemães, Martin Schulz falou-lhes sobre Camões, mas, principalmente, sobre Fernando Pessoa.

Já em conversa com Eduardo Lourenço, depois visitar uma parte da exposição fotográfica na rua Garrett sobre o dia 25 de Abril de 1974, o social-democrata alemão contou que foi testemunha da enorme abertura literária registada em Portugal nos primeiros anos de democracia.

«Em 1975, um amigo meu editor contou-me que estavam a disparar as encomendas de livros de Marx e de Engels para Portugal e que as livrarias se multiplicavam aqui em Lisboa», referiu.

Antes de partir para o Porto juntamente com Francisco Assis, o candidato socialista a presidente da Comissão Europeia visitou a Fundação Saramago, no Campo das Cebolas, onde também revelou um profundo conhecimento da obra do prémio Nobel da Literatura, destacando, em particular, a sociedade que é descrita no livro «Claraboia».

Martin Schulz prestou ainda atenção a um vídeo de um debate parlamentar a propósito da atuação do Governo [de maioria absoluta PSD] em relação ao livro de José Saramago «Evangelho Segundo Jesus Cristo», no qual o socialista Jaime Gama aparece a fazer uma intervenção crítica em relação ao então secretário de Estado da Cultura Sousa Lara.

António Costa encarregou-se de situar Martin Schulz no tempo: «Isto passou-se quando o Presidente da República, Cavaco Silva, era primeiro-ministro», disse.