A cabeça de lista do Bloco de Esquerda (BE) às eleições europeias afirmou, este sábado, que os portugueses precisam de replicar os fundamentos da revolução de 25 de abril de 1974 no sufrágio europeu do próximo dia 25 maio.

«Precisamos de um abril nas eleições de maio», começou por dizer Marisa Matias, acrescentando: «A Europa do capital ficou preocupada com o 25 de abril, está na altura de lhe darmos mais preocupações. Maio é o mês dos trabalhadores, maio é o mês em que não podemos desistir, vamos à luta em todos campos».

A candidata do BE falava numa iniciativa do Partido da Esquerda Europeia, que decorreu no Teatro Batalha, no Porto, e que contou com a presença do líder da oposição grega, Alexis Tsipras, líder do Syrisa (esquerda radical) e candidato à liderança da Comissão Europeia.

«A velha aliança entre Portugal e Grécia, que já provou as suas potencialidades no passado, mantemos hoje e no futuro para derrotar a ditadura da austeridade e dos mercados financeiros», disse Marisa Matias, acrescentando.

«Continuamos a precisar de uma desobediência. O nosso problema de hoje é haver ainda muita gente que continua a aceitar o abuso que lhe está a ser feito. A voz da esquerda nestas eleições será fundamental contra o inimigo comum da austeridade».

Marisa Matias aludiu ainda aos discursos o Presidente da República nas cerimónias de comemoração do 25 de Abril.

«O 25 de Abril serviu para quebrar um unanimismo forçado e trazer o país para a liberdade. Este presidente não percebe isso. Acho mesmo, que próprio Marcelo Caetano não deixaria de concordar com o discurso de bafio de Cavaco Silva».

Também Catarina Martins, coordenador do Bloco, fez alusão aos recentes discursos das comemorações do 25 abril, apontando baterias ao PSD e CDS.

«Não podemos deixar que tudo possa ser dito impunemente. Ouvimos discursos que nos insultam e ofendem», começou por dizer a coordenadora, completando: «Chegaram a comparar a saída da troika de Portugal ao 25 de abril. Que iríamos ter um país renovado. Tem de haver limites para os jogos com nossa memória e com a nossa dignidade».

Catarina Martins afirmou que «não há renovação na demagogia de PSD e CDS», considerando que «não há austeridades fofinhas ou light, sendo necessário acabar com as chantagens. Perante a demagogia do PSD e CDS, parece que as eleições aproximam-se as palermices aumentam».

Nesta ação do Bloco de Esquerda e do Partido da Esquerda Europeia, que juntou mais de 600 pessoas, uma das intervenções mais aplaudidas foi a do grego Alexis Tsipras, o candidato ala esquerda à presidência da Comissão Europeia.

«Tenho esperança que em 25 de maio a Europa vai virar à esquerda para termos as nossa vidas nas nossas mãos. Estas eleições são um referendo à vida. É urgente fazer recuar neoliberalismo e o euro alemão. É urgente fazer recuar o partido da senhora Merkel para recuperarmos a Europa», disse Alexis Tsipras.

O candidato da esquerda europeia, não deixou de prestar uma homenagem a todos os portugueses que participaram na revolução de 25 de abril 1974.

«Como candidato e como grego, presto homenagem à Revolução dos Cravos. Portugal dessa altura deu uma mensagem esperança para o povo grego. Asseguro-os que 40 anos depois essa revolução continua a inspirar a nossa luta contra a troika para reconquistarmos a nossa soberania nacional», vincou o líder do Syrisa.