Fazer campanha tem que se lhe diga. Não basta ser e aparecer (alguns têm tentado isso mesmo nos últimos dias), pelo menos quem tem ainda muito caminho a percorrer  E a candidata apoiada pelo Bloco de Esquerda, apesar da vontade que tem demonstrado, tem esse percurso pela frente.

Marisa Matias defende o seu lugar agora e numa segunda volta eleitoral e diz com convicção que é na estrada, no contacto com as pessoas, na discussão de ideias, durante a próxima semana e meia, que tudo se decide. A ver vamos.

Mas para isso acontecer é preciso trabalhar e também andar na rua. Marisa já afirmou que não se esconde das pessoas e em campanha há contactos institucionais e mais formais que têm de acontecer.

E dito disto e feito isto, a meio da primeira semana, houve o primeiro cheiro de arruada. Na verdade, a candidata percorreu apenas algumas dezenas (centenas?) de metros dentro do bairro da Cova da Moura, durante uma visita à associação Moinho da Juventude. Mas serviu para sentir o "cheiro" do apoio popular.

E foram quase sempre palavras de apoio à candidata: por ter um passado diferente, por ser mulher, por ser bonita, por ter capacidade para vencer Marcelo Rebelo de Sousa. Sim, isso também foi dito, e com sinceridade, da boca de uma mulher, idade mais avançada, que ali mesmo numa mesa, numa pequena sala, nas instalações do Moinho da Juventude, aprendia a ler e escrever.

Por esta pessoa, por todas as outras, Marisa pede mais inclusão social, menos desigualdades e critica os últimos anos, tanto do governo de direita, como de Cavaco Silva.

A rua falou, Marisa ouviu. Há que dar apenas um desconto: aquele é terreno bloquista, não do ponto de vista do voto ou da máquina partidária, mas do trabalho de campo. Será que isso é criticável?
Seja como for, ali,  Marisa reinou, ela que só quer ser Presidente.