A cabeça de lista às europeias do BE, Marisa Matias, afirmou esta segunda-feira que «está em aberto» a possibilidade de apresentar queixa à Comissão Nacional de Eleições (CNE) sobre o anúncio, no sábado, da estratégia do Governo para o futuro.

O porta-voz da CNE admitiu esta segunda-feira que o anúncio da estratégia do Governo para o futuro, marcado para sábado, em plena campanha para as Europeias, suscita dúvidasrelativamente à imparcialidade durante uma campanha eleitoral, não atuando, no entanto, sem haver uma queixa.

No final de uma visita ao Centro de Reabilitação e Integração Torrejano, em Torres Novas, Marisa Matias foi questionada sobre esta posição da CNE, afirmando que o BE deixa a possibilidade de apresentar queixa «em aberto» e que tomará uma decisão «entretanto».

«Nós estamos a acompanhar o processo. Não há muita diferença, infelizmente, entre esta situação do anúncio do Governo para dia 17 e aquilo que tem sido feito. Tem sido tudo usado como uma gigantesca campanha por parte do Governo», criticou.

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Na opinião da eurodeputada recandidata nestas eleições, a prova disso mesmo é a realização da conferência do BCE em Portugal no dia das eleições, 25 de maio, que «devia ser calmo, de reflexão e não um dia de condicionamento do ato eleitoral». «Nós estamos a acompanhar e vamos ver o que vamos fazer a esse respeito mas nós entendemos que é mais um ato de campanha por parte do Governo em plena campanha eleitoral», sublinhou.

Para Marisa Matias, o que está em cima da mesa é a «propaganda constante» do Governo. «Dia 17 não foge a esse registo: a propaganda que é feita pelo Governo, infelizmente com o dinheiro dos contribuintes», condenou.

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Em declarações à agência Lusa, o porta-voz da CNE, João Almeida, afirmou que «em abstrato, comportamentos dessa natureza durante um período de campanha eleitoral, sem haver razões especiais que os possam fundamentar (¿) não é muito leal».

O responsável sublinhou, no entanto, que não existe nenhuma posição definida pela CNE, já que «todas as apreciações são sempre feitas em função dos casos concretos em que elas ocorrem».

O primeiro-ministro marcou para dia 17 de maio - oito dias antes das eleições para o Parlamento Europeu - um Conselho de Ministros para aprovar o «documento de estratégia de médio prazo».