A cabeça de lista do Bloco de Esquerda às eleições europeias, Marisa Matias, criticou hoje que o porto da Nazaré tenha ficado de fora do plano de infraestruturas 2014/2020 considerando «uma asneira» a falta de investimento no litoral.

«Houve uma escolha clara do Governo [no Plano Estratégico de Transportes e Infraestruturas) em fazer apostas nas infraestruturas portuárias no setor dos portos comerciais, o que deixa o porto da Nazaré de fora», criticou hoje na Nazaré a Marisa Matias lamentando a «falta de investimento» quer na atividade turística quer piscatória.

A eurodeputada que hoje se reuniu com responsáveis pelo Instituto Portuário e dos Transportes Marítimos e da Docapesca, afirmou no final do encontro temer que «sejam repetidas no litoral as muitas asneiras que já foram feitas em termos de coesão territorial e que resultaram, por exemplo, no abandono do interior».

«Esperamos seriamente que essas asneiras não sejam repetidas no litoral, porque já muito pouco resta de Portugal e convém defender ainda o que temos», afirmou a cabeça de lista do Bloco de Esquerda (BE) às eleições europeias de 25 de maio.

Defendendo «um modelo [de investimento público] completamente diferente do que tem sido feito em função das políticas de austeridade», Marisa Matias sublinhou a necessidade de «investir no interior mas também no litoral», sobretudo, em «infraestruturas que têm maior ligação à atividade económica e social das regiões».

Na Nazaré, onde visitou o porto de pesca e ouviu pescadores, a candidata sublinhou a necessidade de investimentos não apenas relacionados com a pesca mas também ¿com as questões turísticas e o desenvolvimento de outras atividades ligadas ao mar, que aqui poderiam ser criadas, não apenas em termos de surf, mas de observação de pássaros, por exemplo¿.

Recusando resignar-se a «escolhas politicas que têm sempre uma lógica de escala e de concentração e que deixam ao abandono o resto do território», a candidata do BE lembra ao Governo que «o setor portuário é muito mais que o setor portuário comercial» e garante que, se for eleita, travará em Bruxelas «muitas batalhas pela regulamentação que falta» ao setor da pesca.

No que respeita à politica comum de pescas e ao fundo relativo à remodelação da frota pesqueira, a eurodeputado pretende intervir para «tentar que ao nível da regulamentação se minimizem alguns erros de pré desenho de quotas, que permita equilibrar bem os pilares económico, social e ambiental».

Marisa Matias foi acompanhada na visita à Nazaré pela coordenadora bloquista Catarina Martins e participará esta noite num jantar-comício, em Leiria, que contará também com as presenças de José Peixoto e Francisco Alves.