O antigo Presidente da República Mário Soares disse esta quinta-feira «acreditar profundamente» no povo, mas lamentou, sem indicar nomes, que sejam alguns portugueses a fazer tudo «para arrasar» o país.

«Acredito em Portugal, profundamente. No povo português. Mas nós fizemos tudo e estamos a fazer tudo para arrasar o nosso próprio país e isso é inaceitável, de maneira nenhuma aceitável», considerou o antigo chefe de Estado, sem se alongar no que a esta matéria diz respeito.

Soares, de cravo ao peito, falava no lançamento do livro «Em Defesa do Futuro», da sua autoria, que esta quinta-feira à tarde foi apresentado no Centro Cultural de Belém, em Lisboa.

O fundador do PS aproveitou a ocasião para destacar o «culto pela amizade» que manteve ao longo da sua vida e que foi sempre «qualquer coisa de essencial».

«Vou fazer 90 anos em dezembro (...). O que penso é que tive sempre o culto da amizade. E tive sempre o culto da amizade por muita gente. Alguns, no final, depois, não me trataram tão bem como eu suponha que podiam, outros, pelo contrário, foram muito mais além do que imaginava. Mas a verdade é que este culto pela amizade foi sempre para mim qualquer coisa de essencial», prosseguiu Mário Soares.

Na apresentação da obra, que contém crónicas recentes do antigo chefe de Estado, estiveram o presidente honorário do PS, Almeida Santos, o antigo primeiro-ministro e fundador do PSD Francisco Pinto Balsemão, a jornalista e presidente da Fundação José Saramago, Pilar del Rio, e o professor catedrático Alfredo Bruto da Costa, entre outros.

Viriato Soromenho Marques, que fez a apresentação da obra, destacou o legado do socialista, um «político por vocação», e advogou que a história da democracia portuguesa «deve muito às qualidades» de Soares.