Por: Hugo Beleza | 20- 9- 2009 19: 33
Foi um fim-de-semana de pesos pesados na campanha do PS. No sábado, Manuel Alegre, em Coimbra. No domingo, Mário Soares,
no Porto. Quase sem figuras de relevo a Sul, José Sócrates foi buscar ao Centro e ao Norte o impulso dos históricos que lhe
faltava. Se o primeiro lhe ofereceu a «esquerda possível», contra o PSD, o antigo Presidente da República entregou-lhe esta
noite o testemunho do carisma e da popularidade, num comício com milhares de pessoas, que pôs a gritar no final da sua intervenção:
«Sócrates é fixe».
Na noite em que falaram também Renato Sampaio, Teixeira dos Santos e Alberto Martins, Mário Soares
era a figura mais aguardada, além de José Sócrates, com rios de pessoas a confluírem, ao final da tarde, para a Praça D. João
I. Mal o antigo chefe de Estado subiu ao palanque instalado no recinto, irrompeu o slogan: «Soares é fixe, Soares é fixe».
À
tarde, o histórico socialista havia dito aos jornalistas que não estava certo que o PS estivesse no caminho de uma nova maioria
absoluta e que uma coligação com o BE não «repugna». À noite, apontou para uma «vitória confortável». Mas antes dos
elogios a José Sócrates - que ontem faltaram no discurso de Manuel Alegre -, Soares atirou contra Ferreira Leite.
Primeiro
preparou o caminho, sublinhando que a crise que se vive é mundial. Depois atirou: «Quando uma economista confunde a crise
de 2003, com uma crise mundial, ou é fanática ou é irresponsável».
Fustigada a líder do principal partido da oposição,
Mário Soares sintonizou o discurso para o lado aposto, estreitando as opções eleitorais até a um nome. «Não vejo, realmente,
no horizonte nacional, nenhum político que, em competência, rigor, amor a Portugal e aos portugueses mais pobres, se compare
a José Sócrates», afirmou.
Para Mário Soares, «José Sócrates aprendeu muito com a crise», e, para Mário Soares,
José Sócrates é o único que lhe pode «fazer frente». «Estou à vontade para vos dizer que Sócrates é alguém que ganhou uma
experiência, uma competência, que tem uma prioridade, que vos dá garantias que podemos triunfar no futuro nesta crise e nas
crises que vierem».
Numa noite de transmissão de herança política - ou de pelo menos um slogan -, o histórico socialista
até sobre polémicas ofereceu rescaldo a José Sócrates. «Ninguém foi tão combatido neste país, tão injuriado (...) desde o
25 de Abril até hoje». «A nós socialistas portugueses ninguém nos dá lições de democracia nem de liberdade», anotou.
Um
apelo no Porto
Quando José Sócrates rendeu Mário Soares, este já tinha estendido até si um manto de aclamações,
com um slogan transfigurado. E um Sócrates «fixe» agradeceu «do fundo do coração» as «palavras» de Mário Soares e disse querer
«estar à altura» da história do partido.
«Mário Soares nunca falha. Nunca falha ao PS e nunca falha a Portugal»,
apontou o líder socialista. Fazendo, de novo, como em Coimbra, o discurso da unidade. «Aqui está todo o PS»
«Este
é o momento de reforçar a votação do PS», disse o secretário-geral do PS. «Este é o apelo que faço aqui no Porto: votar no
PS para fazer do país um país melhor».
Se José Sócrates se tem resguardado de discuros críticos e sublinhado todos
os dias que não alinha pela «maledicência», já Teixeira dos Santos e Alberto Martins não se coibiram de disparar em direcção
ao PSD.
«O PSD de Ferreira Leite é, sobretudo, neste momento de crise, o partido da grande depressão», disse o segundo,
depois do primeiro ter questionado: «Que credibilidade, que confiança nos deve merecer, alguém que hoje diz uma coisa e amanhã
diz outra?»
Última actualização às 20:30
Programação - Semana de 12 de Fevereiro a 18 de Fevereiro
SOS - Serviço de AlertaA perspectiva dos profissionais que respondem a situações de emergência, em Portugal.
Terreiro do PaçoO jornalista Henrique Garcia convida Alexandre Quintanilha e Hernâni Santos.
Take Off - Ordem para DescolarO fantástico mundo da aviação. Para o baptismo de voo, convidámos Mafalda Teixeira.