O ministro das Finanças considerou uma "deturpação" a tese de que a reposição dos rendimentos das famílias se destine ao consumo, contrapondo que essa política é um "imperativo" como fator de sustentabilidade de recuperação económica.

Mário Centeno falava, este sábado, no último painel de debate da "reentrée" política do PS, que decorre em Coimbra, antes da intervenção de encerramento pelo líder socialista, António Costa, num discurso ideológico (quase sem apresentação de números), dedicado à questão da igualdade.

O ministro das Finanças frisou que o próximo Orçamento do Estado "continuará a dar prioridade à melhoria dos rendimentos das famílias e das empresas".

"É um imperativo continuar o processo de recuperação dos rendimentos das famílias. Não é para consumir. Essa é uma visão enviesada e deturpada", declarou.

Mário Centeno criticou depois a conceção de "dividir para reinar" que disse ter estado associada ao anterior executivo, colocando em confronto "o setor privado contra o público, os trabalhadores ativos contra os pensionistas, os agentes do setor exportador contra os empresários vocacionados para o mercado interno".

"Esta forma de governar não tem nunca sucesso, porque não cria união. O desenvolvimento de uma sociedade tem de ser inclusivo", advogou.

A melhoria dos rendimentos das famílias, através de uma política financeira nesse sentido, segundo Mário Centeno, é fator central para combater as desigualdades, que constituem "o mais entrave ao crescimento económico".

"E não é possível dissociar as desigualdades dos níveis de educação. Em relação aos atuais trabalhadores, 75 por cento têm pais com escolaridade até ao 9º ano e, destes, apenas cerca de 40 por cento vai além da escolaridade dos pais. Temos por isso de proteger a escola pública como fator de igualdade", sustentou.

Ainda de acordo com Mário Centeno, especialmente no caso de Portugal, em famílias com problemas económicos, "é muito menor a probabilidade de os jovens continuarem na escola".

"Os mais recentes dados sobre um aumento do acesso ao Ensino Superior são uma excelente notícia", declarou o titular da pasta das Finanças no seu discurso, que durou dez minutos.