O líder do PDR, António Marinho e Pinto, defendeu esta sexta-feira que a Assembleia da República devia ter uma segunda câmara, e apontou os nomes de Manuela Ferreira Leite, Bagão Félix e Freitas do Amaral como membros vitalícios.

«Defendo uma renovação do nosso sistema parlamentar com uma segunda câmara parlamentar, um senado, eleito em contraciclo com a própria Assembleia da República, um senado de 40 ou 50 membros, que teria os seus membros vitalícios», afirmou António Marinho e Pinto.


Como membros vitalícios, o eurodeputado apontou os antigos Presidentes da República e presidentes da Assembleia da República e apontou Manuela Ferreira Leite, Bagão Félix e Freitas do Amaral que «pertencem inegavelmente à direita portuguesa» mas que, na opinião de Marinho e Pinto, se estivessem no senado, seriam «úteis para resfriar os impulsos muitas vezes, quase diria, totalitários, mas pelo menos os excessos e os abusos da democracia», como relata a Lusa. 

Marinho e Pinto falava no Congresso da Cidadania, Rutura e Utopia, organizado pela Associação 25 de Abril, e que decorre hoje e sábado na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.

Marinho e Pinto explicou, na sua intervenção aos participantes, que os restantes senadores deveriam ser eleitos pelo método de distribuição proporcional aplicado nas eleições legislativas (método de Hondt), «através de um sistema misto de apresentação de listas por partidos e de candidatura autónoma de cidadãos».

O líder do Partido Democrático Republicano aproveitou também para criticar, mais uma vez, o atual funcionamento de Tribunal Constitucional e afirmou que «o poder de fiscalização prévia da constitucionalidade deve pertencer a um órgão político de características especiais», como disse acontecer nos países onde a democracia está mais consolidada.

Marinho e Pinto teceu ainda duras críticas àquilo a que chamou «carreirismo político».

«A política não pode ser uma atividade profissional porque, se o for, a carreira desse profissional está acima dos interesses daqueles que ele representa», vincou.

O antigo Bastonário da Ordem dos Advogados falou ainda das juventudes partidárias, às quais chamou «escolas de jotinhas».

«A técnica da cotovelada, da facada pelas costas, da traição, da conspiração, da intriga, tudo isso é aprendido nas escolas de jotinhas», declarou.