A deputada do Bloco de Esquerda, Mariana Mortágua, e a eurodeputada Marisa Matias afirmam não ter qualquer conhecimento sobre medidas adicionais previstas para o Orçamento do Estado e desvalorizam comentários de Bruxelas sobre o caso.

Para Mariana Mortágua, “as relações entre Bruxelas e os Governos portugueses têm sido muito claras nos últimos tempos” com as constantes pressões para alterações orçamentais e metas que vão de encontro aos interesses europeus e muitas vezes prejudicam a vida politica, económica e social dos portugueses. Sobre as declarações do Ministro da Economia, Mário Centeno, que dão conta de possíveis medidas adicionais para alterar o Orçamento de 2016, a deputada bloquista garante não ter qualquer informação nesse sentido.

Não tenho mais informações sobre isto a não ser esta: as medidas são medidas que Bruxelas pediu para o Governo preparar caso houvesse um desvio orçamental mas como o OE ainda não foi aprovado, ainda não existem materialmente”, disse em entrevista ao Jornal das 8 desta terça-feira.

Também Marisa Matias, eurodeputada do BE, desvaloriza do alarido em torno das medidas adicionais. “Não é possível saber o resultado das medidas se o OE foi aprovado na generalidade mas ainda nenhuma dessas medidas foi posta na prática”, disse.

Há de facto uma pressão enorme mas tem um pendor mais ideológico do que propriamente a ver com o conteúdo do orçamento. Há medidas que estão no orçamento em Portugal que não agradam à relação de forças maioritária no quadro das instituições” como a reposição salarial, disse.

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Venda do Novo Banco “é contrária ao interesse nacional”

A possibilidade da venda do Novo Banco continua a ser, na opinião de Mariana Mortágua, uma solução “contrária ao interesse nacional”. A deputada refere não encontrar “ninguém em Portugal que defenda que devemos perder o controlo sobre a banca” e justifica a sua posição.

“O mercado da banca está saturado, os preços são baixos e é muito perigoso ter um sistema bancário que depende do sistema privado. Corremos o risco de entregar o nosso sistema bancário a agentes que não têm preocupação sobre a situação económica de Portugal”, disse.

Expetativas em aberto para o Presidente Marcelo

No dia que antecede à tomada de posse de Marcelo Rebelo de Sousa como Presidente da República, Marisa Matias e Mariana Mortágua dizem estar sem expetativas e desejam que este abandone a ideia do bipartidarismo.

Espero que abandone de vez o discurso que usou durante a campanha do país dividido”, disse Marisa Matias deixando maior análise para mais tarde quando houver trabalho realizado.

Mariana Mortágua partilha esta posição e afirma que até aqui não há grandes surpresas porque esta é “a vantagem de ter um presidente imprevisível”.

A cerimónia de tomada de posse de Marcelo Rebelo de Sousa acontece esta quarta-feira a partir das 10h00 e contará com 550 convidados. Para este dia estão previstos alguns constrangimentos de trânsito em Lisboa.