A vice-presidente do PSD Maria Luís Albuquerque acusou esta quarta-feira o ministro das Finanças, Mário Centeno, de usar uma "estratégia desculpabilizante" para admitir um menor crescimento da economia portuguesa neste ano.

Maria Luís Albuquerque disse que cabe ao Governo "corrigir a trajetória" económica do país, mas o ministro das Finanças, advoga a social-democrata, usou como desculpas fenómenos externos diversos e também o ‘Brexit' (saída do Reino Unido da União Europeia).

"O calendário político deste ano era conhecido há já muito tempo. Sabia-se que alguns destes riscos se podiam materializar, e quando confrontado com estas perguntas, o ministro das Finanças sistematicamente repetia que tinha margens [orçamentais]", sublinhou, em declarações aos jornalistas no parlamento, a vice-presidente social-democrata e antiga ministra das Finanças.

Em entrevista hoje publicada no jornal Público, o ministro das Finanças, Mário Centeno, admitiu uma revisão das previsões para 2016 em outubro, quando apresentar o Orçamento para 2017, mostrando, igualmente, abertura para alterar a proposta do regime de requalificação dos funcionários públicos.

Já questionada sobre declarações desta tarde do ministro das Finanças alemão sobre um eventual segundo resgate financeiro pedido por Portugal, Maria Luís Albuquerque diz que respostas ao germânico devem ser feitas pelo Governo e, em concreto, por Mário Centeno.

E concretizou: "Ele [Centeno] não tem sido muito feliz em acertar contas ou fazer previsões, mas tenho esperança que pelo menos que na reação esteja bem".

O ministro das Finanças alemão afirmou esta quarta-feira que Portugal está a pedir "um segundo programa" e que "vai consegui-lo", mas depois suavizou o tom e disse que o país pode precisar de novo resgate "se não cumprir as regras europeias".

Entretanto, o ministério das Finanças português fez questão de emitir um comunicado a garantir que não há qualquer  novo resgate financeiro em vista para Portugal, depois da chama lançada pelo ministro alemão com a mesma pasta.