A secretária de Estado dos Assuntos Europeus cessante, Margarida Marques, disse à Lusa que tem uma "relação de grande cordialidade" com o ministro dos Negócios Estrangeiros e com o primeiro-ministro, garantindo que não pediu para sair do Executivo.

"Não pedi para sair. Compete ao senhor primeiro-ministro escolher o Governo e o senhor primeiro-ministro entendeu que eu já não era necessária no Governo."

Questionada sobre quem a informou do seu afastamento, Margarida Marques referiu que foi o ministro dos Negócios Estrangeiros, mas escusou-se a comentar se esta comunicação ocorreu antes ou depois de ter sido conhecida a iminência de uma remodelação governamental, após a exoneração, no domingo, de três secretários de Estado envolvidos no caso das viagens pagas pela Galp para assistir a jogos do campeonato europeu de futebol.

Na sequência desta polémica, foi anunciada uma remodelação governamental, mas que ocorreria apenas ao nível de secretários de Estado, abrangendo governantes que já tinham manifestado intenção de sair, por motivos pessoais ou profissionais, segundo o Governo.

"Não foi o meu caso", garantiu Margarida Marques à Lusa.

Sobre o seu relacionamento com António Costa e Augusto Santos Silva, Margarida Marques disse ser "de grande cordialidade".

A responsável da pasta dos Assuntos Europeus afastou ainda qualquer ligação entre a sua saída e a questão dos atrasos na transposição para a legislação nacional das diretivas comunitárias, uma crítica com que o PSD confrontava frequentemente os membros do Governo em audições parlamentares.

Margarida Marques reconheceu que há um atraso nesta transposição, que considerou normal dada a mudança de Governo, e sublinhou que "cabe a cada ministro transpor a sua diretiva comunitária", na área da respetiva competência.

A Secretaria de Estado que liderava, bem como a da Presidência, chefiada por Miguel Prata Roque - também de saída do Executivo - procuravam sensibilizar os restantes membros do Governo para a necessidade de avançar com estes processos.

Contudo, a responsável defendeu que o atraso "não é preocupante" e Portugal não está a incorrer em multas ou sanções.

"É um processo jurídico normal. É importante que esta transposição seja bem feita e que a legislação que resulte tenha qualidade. O Governo tem uma enorme preocupação em garantir essa qualidade."

Esta sexta-feira, a Secretaria de Estado dos Assuntos Europeus organiza, em parceria com a Comissão Europeia, um debate sobre "o futuro da Europa", com a presença de vários ministros e do primeiro-ministro, António Costa.

Margarida Marques, que deveria intervir na abertura do encontro, já não participará.

Questionada sobre se sente alguma frustração por interromper o trabalho, mostrou-se confiante que a sua sucessora, a embaixadora Ana Paula Zacarias, vai "continuar o trabalho".

Margarida Marques afirmou que regressará agora ao Parlamento, mas não sabe se poderá vir a integrar a comissão de Assuntos Europeus, referindo que ainda não falou com o líder parlamentar do PS, Carlos César.

Numa mensagem enviada à Lusa, Augusto Santos Silva escusou-se a comentar a remodelação do Governo, com a alteração dos responsáveis pelas pastas dos Assuntos Europeus e Internacionalização, salientando que a relação com os governantes que tutela "foi e é excelente".

"Agradeço a enorme dedicação e o trabalho dos senhores secretários de Estado que, nesta ocasião, abandonam o Governo. A relação do ministro dos Negócios Estrangeiros com todos os secretários de Estado foi e é excelente", afirmou o chefe da diplomacia portuguesa, que vê sair dois dos quatro secretários de Estado do seu ministério.

Santos Silva escusou-se a comentar as remodelações, afirmando apenas não ter "nada a dizer".