A cabeça-de-lista do PS pelo círculo de Leiria, Margarida Marques, acusou, este sábado, o Governo de não ter feito nada para evitar a interdição da pesca da sardinha em Peniche e Nazaré devido ao esgotamento da quota permitida.

A candidata a deputada esteve hoje reunida com a OPcentro, organização que reúne os pescadores de Peniche e da Nazaré, a propósito da interdição de captura de sardinha que desde hoje está em vigor naquelas regiões, por ter sido esgotada a quota local de captura.

"Nós respeitamos as recomendações [científicas] sobre as quotas. Agora, o que ouvimos é que não foram feitas diligências por parte da senhora ministra [da Agricultura] no sentido de encontrar soluções para o problema", disse Margarida Marques à Lusa, após o encontro com os operadores locais.


Segundo a candidata socialista, o Governo não soube antecipar o problema e agora também não parece preocupado em o resolver, apesar das consequências sócio-económicas, e Margarida Marques afirmou que a solução poderia passar por um acordo com o governo espanhol

"A quota que existe hoje é ibérica, do total de 19 mil toneladas [que podem ser capturadas por ano], Portugal tem 13 mil e Espanha seis mil. Até este momento, Espanha tem registado a captura de 2.500 toneladas. Portanto, se o Governo estivesse empenhado em resolver a situação poderia tentar fazer uma proposta ao Governo espanhol no sentido chegar um compromisso", afirmou Margarida Marques.

A OPcentro, segundo a candidata, revelou hoje que 500 toneladas seriam suficientes para minimizar o problema em Peniche e Nazaré, garantindo a pesca de sardinha nas próximas duas a três semanas.

"O Governo não fez qualquer diligência para fazer face este problema", acusou a cabeça-de-lista socialista, acrescentando também que a "solução deveria ter sido equacionado mesmo antes de se chegar a uma solução rutura".


Sobre as declarações de hoje da ministra da Agricultura, Assunção Cristas, que disse que está fora de hipótese estender o tempo de captura ou aumentar a quota da sardinha sob pena de no futuro ser imposta uma quota para a sardinha ainda mais penalizadora, Margarida Marques fez questão de referir que "não se está em causa a preservação da espécie", que é necessário garantir, mas a necessidade de "encontrar uma solução negociada que permita resolver o problema".

Se este ano já existem problemas com a pesca de sardinha, devido aos limites impostos, no próximo ano a pesca deste peixe deverá ser ainda mais limitada tendo em conta a recomendação científica do ICES já conhecida.

Em julho, o parecer do Conselho Internacional para a Exploração dos Mares (ICES, na sigla inglesa) recomendou que os totais admissíveis de capturas (TAC) da sardinha em águas ibéricas se devem limitar a 1.587 toneladas em 2016. Este valor é cerca de um décimo do permitido este ano, já considerado insuficiente pelos pescadores.

Apesar de não ter um caráter obrigatório, o parecer do ICES é em geral adotado por Portugal e Espanha, uma vez que a consequência é a União Europeia passar a gerir o 'stock' de sardinha ibérica.

Já em 2014, cerca de 70% da sardinha consumida em Portugal foi importada, nomeadamente de Marrocos