O porta-voz do PSD afirmou, esta quarta-feira, apreciar a ideia da UGT de que um eventual aumento do salário mínimo só deve ser debatido após as eleições europeias, considerando que nessa altura possivelmente haverá menos ruído.

No final de uma reunião entre dirigentes do PSD e da UGT, na sede desta central sindical, em Lisboa, em declarações à agência Lusa, Marco António Costa afirmou: «Julgo que a UGT tem uma intenção benigna de tentar evitar que haja um contágio do diálogo social pelo debate político partidário que ocorrerá aquando da campanha eleitoral».

«Isso só prova, mais uma vez, o sentido construtivo com que a UGT se apresenta nesta matéria. Portanto, é nesta interpretação benigna que eu enquadro e aprecio esta proposta da UGT», acrescentou o porta-voz e coordenador da Comissão Política Nacional do PSD.

Interrogado se subscreve a ideia hoje defendida pela UGT, Marco António Costa respondeu: «Eu subscrevo todas as propostas que visem criar um clima de confiança e, acima de tudo, um clima realista de construção do diálogo social, e a UGT tem sido um parceiro inestimável nesse processo».

«Confesso que, quanto mais depressa, melhor - o país urge em ter esse consenso e esse acordo geral relativamente a matérias de política de rendimentos e de produtividade -, mas o tempo poderá ser aquele que a UGT apresenta, porque será um tempo porventura com menos ruído político e mais estável para esse trabalho ser feito», completou o vice-presidente do PSD.

Marco António Costa descreveu como «muito positivo» o clima de diálogo institucional com a UGT e considerou que vai «no sentido de se poder encontrar um compromisso em concertação social» sobre matérias como a política de rendimentos, a organização do trabalho ou a reforma do Estado.

Instado a desenvolver a proposta que fez na quarta-feira de que seja feita uma discussão alargada em concertação social sobre política de rendimentos associada à produtividade, o porta-voz do PSD defendeu que «o país precisa de ter uma nota de previsibilidade e de estabilidade relativamente ao seu futuro».

«É preciso que os agentes políticos, os agentes sociais em Portugal consigam construir um consenso suficientemente amplo em matéria de política de rendimentos, quer na Administração Pública, quer no setor privado, que esteja associada ao desempenho da nossa economia e da nossa capacidade de gerar riqueza», reiterou.

Questionado se pretende que a evolução dos salários fique indexada à evolução da economia, respondeu que é preciso «fazer esta discussão sem jogo marcado».

Hoje, após um encontro com o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, sobre a conclusão do programa de resgate a Portugal, o secretário-geral da UGT, Carlos Silva, afirmou que esta central sindical pretende negociar um aumento do salário mínimo nacional ainda este ano, mas rejeita fazê-lo antes das eleições europeias de 25 maio ou da saída da troika.

«O primeiro-ministro desafiou a UGT. A UGT reafirmou não estar em condições de fazer qualquer acordo de concertação antes das eleições europeias ou da saída da troika. Para nós, isto está óbvio. Não queremos que haja um qualquer aproveitamento a favor ou contra o Governo ou qualquer partido político. O movimento sindical tem que ser imune a esta matéria», justificou Carlos Silva.