O porta-voz do PSD, Marco António Costa, sustentou que o ministro dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, pretendeu manifestar confiança na conclusão do programa de resgate de Portugal e obteve uma declaração solidária do vice-primeiro-ministro, Paulo Portas.

Em conferência de imprensa, na sede nacional do PSD, Marco António Costa acusou o PS de querer «criar um caso com este tema» das declarações que o ministro dos Negócios Estrangeiros fez na Índia, considerando que Portugal só poderia evitar um novo pedido de resgate se os juros da dívida pública a dez anos não ultrapassassem os 4,5% - fasquia que mais tarde disse ter apontado «indicativamente e como mera hipótese».

Segundo o coordenador e porta-voz da direção nacional do PSD, «o objetivo [de Rui Machete] era declarar a total confiança que o Governo português tinha de cumprir com sucesso e terminar o programa de assistência financeira a que o país está obrigado desde 2011» e «a intervenção do senhor vice-primeiro-ministro e de outros membros do Governo são intervenções solidárias no conteúdo e no objetivo com aquilo que foi dito pelo senhor ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros».

Depois de, no domingo, Rui Machete ter associado juros da dívida superiores a 4,5% à necessidade de um segundo resgate, hoje o vice-primeiro-ministro veio afirmar que Portugal «tem uma data marcada para finalizar» o seu programa de resgate, e «não uma determinada taxa» de juro.

Questionado pelos jornalistas sobre a diferença entre o que disseram os dois governantes, Marco António Costa reiterou que entende as declarações de Paulo Portas como «declarações solidárias» para com Rui Machete: «Se o ministro dos Negócios Estrangeiros, aquilo que pretendeu reafirmar e acima de tudo sublinhar, foi a confiança do Governo português em terminar com sucesso, numa determinada data, prevista para o verão de 2014, o Programa de Assistência Económica e Financeira, e se isso foi realçado e sublinhado pelo senhor vice-primeiro-ministro temos uma perfeita consonância e, portanto, uma total solidariedade no conteúdo dessas duas comunicações».

Marco António Costa não deixou, contudo, de condenar que o secretário-geral do PS, António José Seguro, tenha sugerido ao presidente do PSD Pedro Passos Coelho, que mandasse «calar os seus porta-vozes" e parasse "com mais cartas».

Questionado pelos jornalistas sobre essas palavras de António José Seguro, o porta-voz do PSD reagiu: «É uma política e uma cultura que não existe no PSD, não estamos habituados a mandar calar ninguém e, portanto, consideramos isso muito grave e muito pouco apropriado numa democracia madura».

O porta-voz do PSD terminou o seu discurso insistindo para que o PS adote «uma atitude de abertura ao diálogo e de compromisso, com um comportamento de cooperação institucional, em nome do interesse de Portugal».

Marco António Costa disse que «a única resposta negativa» que teve aos convites que fez para debater a reforma do Estado foi do PS. «Esta semana realizaremos reuniões, por exemplo, com a UGT», adiantou.