Marcelo gosta de jaquinzinhos. Mas é assunto que “não se pode falar” por causa das quotas. Nada desse peixe, no mercado de Viseu. Mas muito de BES. Uma mulher peixeira contou ao candidato o que perdeu: dinheiro, saúde e a filha que emigrou. Deu-lhe cabo da vida.

“Não é só o Ricardo Salgado o culpado. Está a ser uma cobaia”. A defesa saiu pela voz da própria lesada do colapso do Banco Espírito Santo. Marcelo abraçava-a, de lado, e continuou a olhar em frente e a ouvi-la quando falou no nome daquele que é seu amigo pessoal.

“O senhor disse na TVI que deviam dar o dinheiro aos lesados. Que se olhasse para os lesados do BES”.
Marcelo não teve problemas em também lhe contar que ainda ontem um senhor em Leiria lhe falado no mesmo assunto.

“Quer o Banco de Portugal, quer o Novo Banco tomaram uma posição, assumindo responsabilidades”. A mulher não engoliu: “Não assumiram, não assumiram”. “Eu sei que a justiça de Portugal é muito lenta”, assumiu o candidato presidencial.

Lenta ao ponto de a saúde dar de si. A mulher continuou a contar: ainda no outro dia foi parar a uma “cama de hospital” por causa disto tudo. Marcelo Rebelo de Sousa desviou a conversa para a saúde, perguntando-lhe mais sobre o seu estado. A resposta mais crua veio a seguir:

“A gente vai morrendo aos bocadinhos”


Marcelo tentou reconfortar - esta é, lá está, uma "campanha dos afetos" - e deixou a mensagem de esperança no futuro que tem apregoado, perante uma peixeira sem pregão.  

“Não pode morrer, não pode morrer. A justiça vai exercer-se. Não tenho dúvidas, não tenho dúvidas. Cá dentro e lá fora”.


Cavaco Silva é que ficou conhecido por dizer que nunca se engana e raramente tem dúvidas. Esta viseense apoia Marcelo para novo Presidente de Portugal e espera que ele não se esqueça do que disse quando era comentador na televisão.