O Presidente da República recusou-se a comentar os nomes escolhidos para a administração da TAP, mas sugeriu que se pense num sistema para o futuro, que passe pela audição de uma entidade independente antes da nomeação ou por um concurso público.

Numa visita à Feira Nacional da Agricultura, em Santarém, Marcelo Rebelo de Sousa recusou comentar os nomes escolhidos pelo Governo para a administração da transportadora aérea nacional.

É uma escolha que é da competência do Governo e é uma escolha de confiança política”, sublinhou Marcelo Rebelo de Sousa.

Mais interessante não é debater o nome A, B, C ou D, é pensar para o futuro num sistema, sobretudo nos executivos, e pensar com tempo para não ser em cima de cada caso”, disse o Presidente.

Nesse sentido, deu como referência a Comissão de Recrutamento e Seleção para a Administração Pública (CRESAP) para a audição prévia dos nomes. Ou então a possibilidade de realização de concursos públicos, como acontece no Reino Unido com o governador do banco de Inglaterra ou o presidente da BBC.

A indicação pelo Governo dos administradores que irão representar o acionista Estado tem sido alvo de polémica no meio político português, com críticas à esquerda e à direita do PS, especialmente pela escolha do advogado Diogo Lacerda Machado, amigo de António Costa e que esteve envolvido na negociação do processo de reversão da privatização da maioria do capital da TAP.

"Há muito tempo” agrada

Afirmando que já ouviu a sugestão “à direita como à esquerda” e que ela “há muito tempo” lhe agrada “como tema de debate”, Marcelo defendeu tratar-se de uma questão para debater “serenamente para o futuro” e que “pode ter pés para andar”.

Admito que, para o futuro, talvez valha a pena pensar, sobretudo para os administradores executivos de empresas onde está o Estado, num sistema semelhante ao da CreSAP. Antes da decisão pelo Governo, haver a audição por uma entidade independente, que se pronuncie sobre os nomes e, em casos, digamos assim, mais importantes, haver um sistema de concurso público, como há, por exemplo, para o governador do Banco de Inglaterra ou para o presidente da BBC”, declarou.

Para o Presidente da República, “o que interessa aos portugueses é que a TAP corra bem”.

Os primeiros resultados que se conhece nesta nova gestão são encorajadores”, disse, apontando o exemplo da abertura de novas rotas. “Isso é o mais importante. A estratégia e os resultados”, sublinhou.