O ex-líder do PSD Marcelo Rebelo de Sousa considerou esta terça-feira à noite que se António José Seguro perder as primárias do PS, essa derrota começou quando recusou o «presente» do Presidente da República, em julho de 2013, de eleições antecipadas.

Marcelo Rebelo de Sousa falava terça-feira à noite no Clube dos Pensadores, em Vila Nova Gaia, onde considerou que o secretário-geral do PS, António José Seguro, «podia ter aceite aquele presente que foi dado pelo Presidente da República, Cavaco Silva, das eleições antecipadas [a partir de 2014] na base de um consenso mínimo».

«Se António José Seguro perder as primárias de setembro, a derrota dele começou no dia em que recusou, em julho do ano passado, a hipótese de ser primeiro-ministro. Neste momento ele estava a um passo de ser primeiro-ministro de Portugal porque o Governo de Pedro Passos Coelho passava a ser um Governo de gestão corrente, a prazo», explicou.

Durante a crise política do verão passado, a 10 de julho de 2013, o Presidente da República, Cavaco Silva, propôs um «compromisso de salvação nacional» entre PSD, PS e CDS que permitisse cumprir o programa de ajuda externa, prevendo esse acordo eleições antecipadas a partir de junho de 2014.

Sobre António Costa, opositor de António José Seguro nesta corrida pela liderança socialista, o ex-líder do PSD e comentador político sublinha que o atual presidente da Câmara de Lisboa «tem a seu favor o messianismo», afirmando que António Costa «aparece aos olhos de muitos portugueses rodeado de uma aura de Messias, que é excessivo».

«Espera-se dele um Messias que ele não pode, em caso algum, ser», disse.

Na opinião de Marcelo Rebelo de Sousa há um conjunto de fatores - ausência de desgaste, simpatia e peso televisivo - que «criam uma expectativa numa parte do eleitorado, que é evidente que se pode desgastar se ele chegar à liderança».

«Mas para alguém que chega à liderança rodeado deste messianismo e tem eleições legislativas daí a menos de um ano, temos de convir que isso é uma vantagem», enfatizou.

O social-democrata antecipa que, para lá de quem venha a ganhar esta disputa socialista, o importante é que todos os candidatos às eleições legislativas de 2015 façam um debate «elevado, não fulanizado, sem a agressividade que está a chegar à política portuguesa».

«Não digam coisas que não vão conseguir fazer. Tenham cuidado no que dizem para que os portugueses tenham campanhas com menos promessas e mais viradas para coisas concretas que possam ser cumpridas», apelou.

Sobre as legislativas de 2015, Marcelo recordou que, quer estas eleições, quer as presidenciais do ano seguinte, são as duas em cima do Orçamento do Estado para 2016 e que este facto, associado à ausência de uma «garantia de um consenso mínimo à partida», gera «um sarilho enorme» para esse instrumento.

«Eu defendi que talvez fosse prudente - além de um consenso prévio nestas questões básicas -separar uma eleição de outra. Faz-se uma eleição antes da preparação e elaboração do orçamento, de tal maneira que o Governo que for escolhido pelos portugueses em maio ou junho possa preparar o seu orçamento», propôs, sugerindo assim uma antecipação da data de outubro.

O ex-líder «laranja» considera que o Presidente da República «pode mexer nisto desde que os partidos, nomeadamente os da maioria no Parlamento, se não oponham».

Dos presentes neste debate surgiu diversas vezes a pergunta sobre uma eventual candidatura presidencial de Marcelo Rebelo de Sousa, tendo o social-democrata começado por considerar que esta não é uma questão de «apetite, de amor próprio ou de obsessão».

«Não me peçam para a uma distância apesar de tudo tão significativa para dizer que vou ou que não vou. (...) Neste momento não é uma questão que povoe minimamente a minha mente», disse.